Embora pareça empolgante imaginar como os vikings conseguiram tal façanha, a única roteirista que pensou no tema foi Laeta Kalogridis (co-roteirista de Alexandre, de Oliver Stone), meio século depois. Esperou-se, então, que finalmente fossem projetadas em tela grande as peripécias nórdicas e seu relacionamento com os nativos americanos.
No entanto, com o nome original de Pathfinder (algo como “aquele que encontra o caminho”), o filme Desbravadores diz mais sobre os índios do que sobre o povo nórdico. Vendido como o grande enfrentamento entre os dois povos, a produção é um engodo, com profundos buracos no roteiro e um decepcionante protagonista.
Tudo começa quando uma índia encontra um barco viking naufragado no leito de um pequeno rio (como ele foi parar ali é o primeiro grande mistério da produção). A tripulação está morta, exceto por uma criança viking. Penalizada, a índia leva a criança para a tribo e após uma deliberação rápida decidem que ela tem um destino e então deverá ser adotada com o nome de Ghost (fantasma), graças à sua tez.
Depois de 15 anos, Ghost (Karl Urban, da trilogia O Senhor dos Anéis) já tem mais de 30 anos (segundo mistério) e busca uma forma de se tornar um grande guerreiro para sua tribo, que discrimina sua ascendência. A oportunidade chega quando um grupo viking desembarca na região para uma limpeza étnica, pois decidem que ali será seu novo lar.
A única pessoa apta a enfrentá-los é Ghost. Afinal, ele é o único que tem uma espada de metal, treinamento para usá-la (que ele guardou de uma suposta formação bélica na primeira infância) e que entende de estratégias de guerra. Os índios, parvos e armados com paus e pedras, não têm qualquer chance. Assim, como uma espécie de Rambo viking-apache, Ghost enfrenta os vilões, sofrendo toda sorte de maus tratos.
Não deixa de ser curioso na história o motivo dos vikings. Se queriam colonizar, porque não havia mulheres no barco, já que as “selvagens” não seriam aceitas no grupo? Ou mesmo: como o pequeno barco mostrado nas cenas conseguiu atravessar meio mundo com tal contingente de vikings? Enfim, frente ao inexplicável os adeptos do auto-engano olham para o sofá.
O diretor Marcus Nispel (da refilmagem O Massacre da Serra Elétrica) tem pouco a fazer, além de tentar caprichar nas cenas de ação e no realismo das decapitações e desmembramentos. Mesmo o ator Karl Urban não coopera. Apesar de seu personagem quase não ter falas, sua falta de aptidão dramática é notadamente um peso para o filme. Sofre o espectador, que assiste a uma história sem sentido, com uma mensagem final de cartão de aniversário de banca de jornal.
