Com Angelina Jolie, de cabelos escuros e encaracolados e lentes escuras cobrindo os olhos verdes, no papel de Mariane, e o marido Brad Pitt como produtor, o filme tem tudo para atrair os holofotes. A causa é justa. Daniel Pearl (interpretado aqui por Dan Futterman) foi, afinal, a vítima desta injustificável e insana máquina terrorista que, até a época de sua morte, havia liqüidado cerca de 230 outros jornalistas na região. Sem o preparo de soldados e forçados a expor-se para conseguir suas matérias, estes profissionais têm sido alvos fáceis de terroristas assassinos.
Pearl havia saído com seu motorista habitual para uma reportagem. Desapareceu numa rua, depois de entrar num restaurante, atraído sem saber para uma armadilha. Não se sabe ao certo se o grupo que o capturou pretendia negociar sua soltura. Mas certamente contribuiu para sua bárbara execução o fato de que era judeu.
Angelina Jolie conduz uma interpretação que com certeza visa ao Oscar. É uma personagem incrível esta Mariane Pearl, de um controle e uma coragem inimagináveis na situação absurda em que foi colhida. No meio de uma gravidez, num país estranho e de situação política de difícil leitura, inclusive para autoridades locais como o oficial maior de segurança (Irrfan Khan), ela não desiste de procurar resgatar seu marido até a perda da última esperança. Mesmo sabendo-se o fim da história, o filme mantém seu interesse. Afinal, a guerra do Iraque e outras armadilhas continuam à espreita de vítimas.
