Assinado por Peter Berg, que sempre fez papéis secundários em séries de TV e, agora, assume uma carreira de cineasta (é dele o desastroso Bem-Vindo à Selva), o filme tem início com um curioso resumo do que representa a Arábia Saudita atualmente. De forma sucinta – e um pouco simplista -, mostra um reino dominado pelas regras duras do islamismo, avesso a tudo o que é estrangeiro. Tudo isso, claro, até encontrarem petróleo – enquanto procuravam por água – e ter como principal apoiador os EUA.
Berg e Carnahan deixam claro que a Arábia Saudita é o mesmo "país amigo" do qual saíram Osama Bin Laden e 15 de dos 19 terroristas que cometeram os atentados do dia 11 de setembro. Tal como é aquele país cuja família real governa sem muito apreço pelos direitos humanos. Uma visão parcial, evidentemente tendenciosa, que ratificará as ações no desenrolar da trama.
Depois da apresentação contextual, segue-se um sangrento ataque terrorista sobre o Complexo Residencial de Al Rahmahos, onde vivem trabalhadores americanos de companhias petrolíferas. O incidente obriga o FBI a enviar uma equipe de peritos para descobrir quem está por trás das brutais mortes (atira-se até em crianças, numa das cenas mais chocantes).
Nos Estados Unidos, são destacados para a empreitada o agente especial de Ronald Fleury (Jamie Foxx, protagonista de Ray), a doutora Janet Mayes (Jennifer Garner), tal como especialista em desastres, Grant Sykes (Chris Cooper), e Adam Leavitt (Jason Bateman) - que é judeu e enfrenta problemas antes mesmo de embarcar. O grupo chega ao local com a permissão do príncipe (Omar Bedouni), mas a polícia e o exército local não querem colaborar. Apenas o coronel Faris Al-Ghazi (Ashraf Barhom) decide romper algumas regras em benefício do grupo.
Por seu conteúdo violento - a linguagem também é extremamente agressiva - o filme mostra personagens fortes, motivados pela loucura e o sentimento de vingança. As boas performances do elenco tornam a produção mais verossímil, dentro de uma narrativa alinhada à voraz crítica de Matthew Carnahan, junto a excelentes cenas de ação.
No entanto, a produção peca em certos pontos, principalmente ao mostrar, sem qualquer pudor, uma imagem mesquinha e desagradável dos árabes para enaltecer os agentes americanos. Mais infelizes são as saídas fáceis e um tanto arbitrárias para resolver os conflitos mais complexos (quando o grupo conta com a ajuda de uma criança, simpática a eles por ganhar um pirulito em cenas anteriores). No fim, O Reino é indicado para quem tem estômago forte e interesse pelos conflitos no Oriente Médio.
