19/07/2026
Suspense Drama

A Desconhecida

Irina chega a uma cidade, aluga um apartamento e busca emprego como faxineira num prédio em frente. Lá mora uma família com quem ela tem uma antiga pendência de seu misterioso passado.

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Criando uma carreira a partir do estrondoso sucesso de Cinema Paradiso, vencedor do Oscar de filme estrangeiro de 1988, o diretor Giuseppe Tornatore vem ocupando um lugar particular no cinema italiano – ser seu principal autor de melodramas. Ele vai mais longe do que nunca neste arriscado A Desconhecida, no qual mistura temas fortes, como a exploração sexual de mulheres do leste europeu, com pitadas de suspense, trama policial, crime, vingança. Um ensopado pesado, de difícil digestão, mas que agradou ao público italiano e arrematou nada menos de cinco David de Donatello, o principal prêmio daquele país (inclusive nas modalidades filme e diretor).

Goste-se ou não do filme, será difícil deixar de reconhecer a extrema coragem e entrega da protagonista Ksenia Rappoport, atriz russa de teatro e televisão que aqui faz sua primeira participação numa produção fora de seu país e também foi premiada com um David de Donatello. No papel de Irina, ex-prostituta ucraniana em fuga de seu violento explorador, Muffa (um irreconhecível Michele Placido), ela se desdobra com total credibilidade e energia para compor sua sofrida personagem.

Fruto de um passado de abuso em todos os sentidos, que a narrativa revela a conta-gotas, nas primeiras cenas ela é vista de tocaia. Aluga um apartamento, de cuja janela pode observar atentamente a movimentação de uma família, o casal Valeria (Claudia Gerini) e Donato (Pierfrancesco Favino) e sua pequena filha, Thea (Clara Dossena). Não se sabe que plano misterioso alimenta Irina e algumas pistas falsas serão colocadas no caminho do espectador. O fato é que a mulher está disposta a tudo para conseguir empregar-se no apartamento dos Adacher, nem que a vida de alguém tenha que ser posta em perigo.

Tornatore conduz o filme como um suspense, nem tão difícil de desvendar a partir de certo momento. Mas não se esperem sutilezas de um Hitchcock e sim excessos de novela brasileira. Irina poderia freqüentar tranqüilamente o horário nobre da tv nacional. O grande trunfo está em nunca tornar antipática a protagonista, ainda que em vários momentos se possa identificar o quanto o desespero danificou sua capacidade de raciocinar. O desenrolar da história induz à sua absolvição e perdão. A simpatia do público sempre ficará com ela. Até a dos críticos, que gostariam de ver seus inegáveis talentos a serviço de uma história melhor.

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