19/07/2026
Suspense

O Suspeito

Quando um norte-americano de origem egípcia desaparece pouco depois de chegar de uma viagem à África, a mulher dele e um analista da CIA começam a investigar o caso e descobrem que a agencia pode estar usando de tortura para conseguir confissões.

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A paranóia americana após os atentados terroristas de 11/09 não deixa de ser uma rica fonte para cineastas panfletários. Sejam independentes ou não, abundam produções em que a denúncia sobre desrespeito aos direitos humanos e a truculência das ações repressoras são as tônicas dominantes da trama.

Nesse plantel, encontra-se O Suspeito, do diretor sul-africano, Gavin Hood (de Tsotsi, filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2006). Baseado em uma história verídica, o filme é um ataque certeiro às ações do governo norte-americano para extrair informações dos estrangeiros acusados de conivência com organizações terroristas.

Logo nas primeiras cenas, um atentado à bomba no Egito deixa um punhado de feridos e causa a morte de um oficial da CIA. O incidente dá início a acontecimentos desastrosos em efeito dominó. Douglas Freeman (Jake Gyllenhaal, de O Zodíaco) é chamado para fazer o trabalho do agente morto, o de ser o observador americano nos interrogatórios de suspeitos realizados no Egito.

Enquanto isso, em Washington, o egípcio Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally, de Munique) é surpreendido por policiais ao desembarcar no aeroporto, vítima da lei da Rendição Extraordinária, em que suspeitos são deportados para serem interrogados em seus países de origem. A ação é coordenada por Corrine Whitman (Meryl Streep), que parece não acreditar que um egípcio tenha green card.

A partir daí, a produção se divide em três focos narrativos: na prisão em que Anwar é torturado, para desespero de Freeman; em Washington, na luta de Isabella Fields El-Ibrahimi (Reese Witherspoon, de Johnny e June) para encontrar seu marido; e, em uma história a princípio paralela, o amor clandestino entre a filha do torturador de Anwar, o frio Abasi Fawal (Yigal Naor, de Munique), e um jovem vinculado a um grupo fundamentalista.

No desenrolar da trama, fica evidente que Hood preocupou-se mais com a mensagem a dar aos espectadores, em prejuízo da técnica. As atuações não têm destaque, a edição é frouxa e a direção, precária. Defeitos que também podem ser vistos em seu premiado Tsotsi.

Ainda assim, as principais qualidades de O Suspeitorecaem em sua temática oportuna e seu celebrado elenco. Em uma determinada cena, o oficial Douglas Freeman se questiona sobre a real eficácia da tortura. Não está preocupado com a violação dos direitos humanos, mas sim, se as respostas extraídas com esse método são confiáveis. O cinismo do roteiro vale o ingresso.

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