03/06/2026
Infantil Animação

Garoto Cósmico

Cósmico, Luna e Maninho são três crianças que vivem no futuro. Como todas as pessoas, têm uma vida cheia de tarefas. Um dia, vão parar num outro planeta e descobrem a liberdade do circo.

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Indo contra a corrente de um mercado internacional de animação dominado por pesos-pesados, que disputam acirradamente superar-se em efeitos especiais computadorizados, este desenho animado nacional aposta na criatividade de uma história dirigida para as crianças.

À primeira vista singelo, o mote do filme bate numa questão mais profunda – a da adaptação social versus a procura da liberdade e o exercício da imaginação. Ambientado no futuro, o enredo coloca seus três protagonistas mirins, Cósmico, Luna e Maninho, vivendo num mundo organizado, mas antisséptico. O cotidiano das crianças é totalmente dominado pelo cumprimento de tarefas e horários. O seguimento das regras vale pontos. Trata-se de uma suposta sociedade perfeita em que a expressão individual, porém, está fora de questão.

Na tentativa de obter mais pontos em sua avaliação, os três meninos escapam do dormitório e vão parar no espaço sideral. Apenas para desembarcar num distante planeta, para onde foi desterrado um pequeno circo, coisa que eles nunca viram antes. Liderado por Giramundos (voz de Raul Cortez, em um de seus últimos trabalhos), o circo traduz para os meninos a possibilidade de um mundo mais anárquico, voltado apenas para a diversão. Seus principais habitantes são o palhaço Já-Já (voz de Wellington Nogueira), a bailarina (a cantora Wanessa da Mata, que também contribui com a trilha) e o mágico Zás-Tráz (Belchior).

Todos vivem alegremente a nova liberdade até o dia em que aparece o Capitão Programação (Márcio Seixas, o dublador do Sr. Incrível em Os Incríveis) – que vem resgatar as crianças de volta para seu mundo super-organizado. Aí é chegada a hora das verdadeiras escolhas de cada um.

Uma boa sacada do diretor Alê Abreu, estreando em longa-metragem, foi insistir em que a dublagem dos três protagonistas fosse realmente executada por crianças – Aleph Naldi (Cósmico), Matheus Duarte (Maninho) e Bianca Rayen (Luna). Escolhidos por teste, eles foram preparados por Fabiana Prado, do programa Castelo Rá-Tim-Bum.

O grande mérito do filme é o capricho, começando pelo roteiro – assinado pelo próprio Alê Abreu, ao lado de Gustavo Kurlat (músico e um dos responsáveis pela trilha), Sabina Anzuategui (de Desmundo) e Daniel Chaia (Bens Confiscados). Outro músico, Arnaldo Antunes, também dá o ar de sua graça em algumas canções.

O diretor Alê Abreu, aliás, vem de uma carreira de curta-metragista premiado, com trabalhos como Passo (2007), Espantalho (melhor filme nacional do festival Anima Mundi 1998) e Sirius (vencedor do 3º. Festival Internacional de Cine para Niños y Jóvenes do Uruguay, em 1993).

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