21/07/2026
Drama

Terra em Transe

Em seu terceiro longa-metragem, Glauber retrata uma república fictícia - Eldorado. Narrado por Paulo, poeta e jornalista de esquerda, conta a história da ascensão e queda de um governador populista e corrupto, Vieira. Considerado subversivo, foi proibido pelo governo militar. Fotografia de Luiz Carlos Barreto.

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Ganhador do prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes em 1967, Terra em Transe é uma obra seminal do cinema dos anos 60, que acabou influenciando não apenas outros cineastas, mas também o movimento dos estudantes franceses. Segundo uma tese desenvolvida na Sorbonne, o filme brasileiro – ao lado de Antes da Revolução (1964), de Bernardo Bertolucci, e A Chinesa (1967), de Jean-Luc Godard – é uma das obras que mais inspiraram os protestos de maio de 1968.

No entanto, isso não significa dizer que o longa seja datado. Muito pelo contrário, este é um filme que ganha força e vigor com o passar dos anos – tanto em termos de conteúdo, como de forma. Muitos dos planos e artifícios usados pelo cineasta são considerados de vanguarda até quando usados no cinema contemporâneo.

A história foi considerada subversiva demais pelo governo militar quando o filme estreou. Também não é para menos. Em plena época das ditaduras na América do Sul, Glauber (também autor do roteiro) mostra Eldorado, um pequeno país, onde há uma grande disputa de poder.

Esse embate é visto pela ótica de Paulo Martins (Jardel Filho), um poeta de esquerda, romântico e ligado ao povo. De um lado está D. Porfírio Diaz (Paulo Autran), um tradicionalista místico; de outro D. Felipe Vieira (José Lewgoy), um líder populista.

Como definiu o diretor no lançamento do filme, Terra em Transe é “um espetáculo sobre política, um espetáculo sobre problemas morais da política, um espetáculo sobre a consciência da política e um espetáculo sobre movimentos políticos”.

Terra em Transe foi o primeiro dos quatro longas de Glauber restaurado com o patrocínio da Petrobras. Os próximos filmes a ser relançados em cópias novas são Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), Barravento (1962) e Idade da Terra (1980).

O longa foi o primeiro filme a ser restaurando inteiramente pelo processo digital na América Latina. O trabalho foi feito a partir de uma cópia preservada em Berlim e contou com a supervisão geral de Eduardo Escorel (montador original do filme) e a supervisão de fotografia de Lauro Escorel (fotógrafo de still do filme). 

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