Fez shows pelo mundo inteiro, desmascarou centenas de videntes e médiuns farsantes. Recentemente, um livro (A Vida Secreta de Houdini, de 2006) afirmou que ele era, na verdade, um espião. O suposto ilusionista de origem húngara seria um informante dos serviços secretos americanos e britânicos e, com isso, teria garantido financiamento para a ascensão de sua carreira de fachada.
No entanto, o sucesso de Houdini não trouxe alívio para o mítico mágico. Segundo seus biógrafos, ele nunca conseguiu superar a morte da mãe, tornando-se uma pessoa distante e obcecada por fenômenos paranormais de vida após a morte. Foi nesse contexto que iniciou uma sistemática guerra contra supostos médiuns que prometiam uma comunicação entre ele e sua mãe.
Essa etapa final da vida de Houdini, que morreu em 1926, ainda no auge de seu sucesso, é a base do novo filme da diretora australiana Gillian Armstrong (de Adoráveis Mulheres). Nele, o mágico (interpretado por Guy Pearce, de Amnésia) está em sua ultima excursão pela Europa (1926). Além dos seus shows, promove uma campanha sombria: quem acertar o que sua mãe disse a ele antes de morrer (por meio de um contato com o espírito da falecida) receberá a quantia de US$ 10 mil (uma pequena fortuna para a época).
Quando chega a Edimburgo, Escócia, ele é surpreendido pelos encantos da vidente embusteira Mary McGarvie (Catherine Zeta-Jones, de Chicago) e sua filha Benji (Saoirse Ronan, de Desejo e Reparação). Embora desconfie das habilidades da moça, Houdini chama a imprensa para provar que o paranormal existe e que será registrado. Enquanto o dia da prova não chega, a aproximação dos protagonistas leva a um previsível romance, mas também a uma descoberta insuspeita.
Como em seu último filme, Charlotte Gray - Paixão Sem Fronteiras (2001), o novo longa de Gillian Armstrong resulta banal. Apesar de bem-produzido, não tem força. Todos os atores parecem apagados em seus personagens. Há tropeços em todo o roteiro, com diálogos confusos e imprecisões históricas. Mesmo o romance dos protagonistas parece algo forçado. Não há qualquer química entre Catherine e Pearce, que não consegue dar forma ao inquieto Houdini.
A conclusão final é igualmente decepcionante, abrindo um leque de interpretações um pouco bizarras sobre a relação do mágico com a mãe. Algo desnecessário, inventado, que dá contornos perniciosos à vida do grande mágico.
Por último, deve-se notar a interpretação da Saoirse Ronan, celebrada atriz adolescente, que encantou a crítica mundial – e garantiu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2008 com sua personagem Briony Tallis, de Desejo e Reparação. Comparada a pares como Dakota Fanning (de Guerra dos Mundos), Saoirse não se esforça em seu papel, o que pode sugerir que os eloqüentes elogios ao seu talento tenham sido prematuros.
