Marianne Faithfull, a musa dos anos 60 de Mick Jagger, estrela este drama humanista que se arrisca a desafiar algumas fronteiras do moralismo e competiu no Festival de Berlim 2007. Ela interpreta Maggie, uma viúva sessentona que já vendeu até a própria casa para financiar o tratamento de saúde do único neto, Olly (Corey Burke). Todo o dinheiro dos pais da criança, Tom (Kevin Bishop), filho de Maggie, e Sarah (Siobhan Hewlett), é gasto para o mesmo fim. Mas, por algum motivo, o menino não melhora.
Uma nova esperança surge num tratamento experimental na Austrália. A avó quebra a cabeça para descobrir como arranjar dinheiro para esta cara viagem. Procura emprego, mas pesam contra ela a idade e a total ausência de experiência profissional desta senhora que foi apenas dona-de-casa e mãe a vida inteira. Não na boate Sex World, dirigida por Mikky (Miki Manojlovic, ator de vários filmes de Emir Kusturica, como Underground – Mentiras de Guerra), que parece ter uma função que lhe cai como uma luva.
As mãos macias de Maggie começam a render-lhe algumas centenas de libras por semana, que ela ganha sob o pseudônimo de Irina Palm – que ironiza seu peculiar talento com as mãos. Entretanto, ela não pode dizer a ninguém, muito menos ao próprio filho, ou às amigas como Jane (Jenny Agutter), o que anda fazendo todas as tardes ao invés das conversas fiadas no chá.
O diretor Sam Garbarski dá um salto considerável a partir de seu modesto filme de estréia, exibido em circuito brasileiro, O Tango dos Rashevsky (2003). Irina Palm vai mais longe do que anuncia o seu plano de vôo e não deixa de contemplar nem o humor nem o romantismo, quem diria.
