18/09/2026
Documentário

O Longo Amanhecer - Uma Biografia de Celso Furtado

A importância do economista Celso Furtado (1920-2004), ex-ministro do Planejamento e da Cultura e criador da Sudene, é revista neste documentário, que utiliza material de arquivo e entrevistas com intelectuais, como Maria da Conceição Tavares.

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O economista paraibano Celso Furtado (1920-2004) foi um desses intelectuais que, ao longo de muitas décadas, pensaram projetos para o Brasil. Uma figura de tamanha estatura que é praticamente impossível esgotar um inventário de sua contribuição ao País. Este documentário de José Mariani, que recebeu menção honrosa no É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários 2007, constitui um notável esforço para traçar as linhas mestras da atuação de Furtado. Bacharel em Direito, ele tornou-se doutor em Economia pela Sorbonne e esteve por trás de inúmeras idéias e projetos para o Brasil, especialmente a partir dos anos 50. Furtado foi o mentor de planos de desenvolvimento regional, como a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), liderou o debate desenvolvimentista contra os monetaristas como Roberto Campos, escreveu livros essenciais sobre o País (como Formação Econômica do Brasil, de 1959). Foi também um professor que influenciou economistas que atuaram depois dele, procurando sempre despertar nas novas gerações a mesma paixão que ele teve sempre para levar o Brasil a superar os estigmas do subdesenvolvimento e da desigualdade social.

Contando com entrevistas de peso – a principal delas, da economista Maria da Conceição Tavares, que é quem melhor e com mais paixão delimita a importância do legado do mestre, que ela chama carinhosamente de “Velho” – e material de arquivo de muita solidez, o filme do diretor Mariani, dá conta de esboçar a trajetória do economista que foi ministro duas vezes (do Planejamento, no governo João Goulart, e da Cultura, no governo José Sarney.

A radiografia da obra de Furtado serve igualmente como balanço de uma época. Um sentimento doloroso emerge quando se percebe que um outro país completamente diferente do que se tem hoje poderia ter saído desse esforço, tanto de Furtado quanto de outros intelectuais e gestores dos anos 50. Todos eles pensaram e até praticaram modelos sociais, econômicos e políticos bem mais amplos do que aqueles construídos com a mão de ferro da ditadura militar. O preço, para o Brasil, foi ter amargado o o autoritarismo por mais de duas décadas, mergulhando depois num resgate de idéias e caminhos que ainda não foi concluído. Este longo amanhecer que dá nome ao filme, e foi tomado emprestado de um livro de Furtado de 1999, é na verdade o processo que o País vive ainda hoje.

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