O documentário começa com os anos de formação da banda. De início, o longa apresenta uma tese que pretende provar, segundo a qual foi o grupo quem trouxe a modernidade a Manchester, trazendo a cidade finalmente para o século 20, no final dos anos de 1970 – o que parece bem próximo da verdade.
Originalmente a banda se chamava Warsaw, até que escolheram o nome definitivo – que remete aos bordéis organizados por Hitler. Curtis foi um dos últimos a entrar para o grupo, mas foi justamente ele quem se tornou a imagem do Joy Division, que também contava com Peter Hook, Bernard Sumner e Stephen Morris.
Não há como a figura de Curtis não dominar o documentário. Artista atormentado e epilético, marido apaixonado pela mulher e pela amante, sua trajetória fascina ao mesmo tempo que assusta.
O longa de ficção Control é baseado nas memórias da viúva de Curtis, Deborah, que não quis aparecer neste filme, mas autorizou o uso de trechos de seu livro. Já o documentário Joy Division baseia-se na visão da amante do músico, a jornalista Annik Honoré, por quem o cantor abandonou sua família.
O documentário foi roteirizado pelo crítico de música Jon Savage, que não deixou de fora momentos fundamentais do rock, como um show dos Sex Pistols, em 1976, que influenciou diversas bandas.
Enquanto os entrevistados – como os ex-membros da banda, a ex-amante de Curtis e Tony Wilson (um dos fundadores da Factory Records, morto no ano passado) – trazem recordações de uma época, são as imagens da banda no palco que providenciam o que há de mais vivo e interessante dentro deste documentário, que foi apresentado fora de competição no Festival É Tudo Verdade, em abril passado.
Não há como evitar um clima melancólico ao longo de Joy Division. Afinal, esta é a crônica da ascensão e do fim abrupto de uma das bandas mais importantes dos anos de 1970. O suicídio de Curtis, em 1980, decretou o fim do Joy Division, que foi obrigado a se reinventar para continuar a carreira, o que resultou no New Order, como bem mostra o filme.
Dirigido por Grant Gee, que também assina a fotografia, Joy Division tem uma boa quantidade de informações para os leigos, como explicações sobre quem foram, sua história e importância. Para quem conhece bem a banda, talvez possa não trazer muitas novidades, embora não deixe de ser interessante (re)ver Curtis e seus amigos no palco em performances hipnóticas.
