Quando criança, Matilde achava ter salvado o pai de se engasgar evocando uma oração poderosa. Adulta, ela pensa em ser médica. Acaba entrando para um convento e tomando atitudes extremas: ou jejuar ou comer apenas coisas nojentas. Assim ela pensa que poderá até acabar com a chuva incessante, que já matou centenas de pessoas.
A vida de Matilde cruza com a da menina Linda, que se prepara para sua primeira comunhão. Gorducha, a menina é vítima da obsessão da mãe, uma anoréxica viciada em ginástica, que vive em constante alarme com o peso da filha. Já o pai da menina mantém um caso extraconjugal com uma peruana cujo apetite por sexo só é ultrapassado por sua fixação em doces.
Com esses personagens, o diretor e co-roteirista Simon Bross cria uma teia de relacionamentos pautados pelas obsessões e compulsões. Os biotipos diferentes de cada ator servem para reforçar a visão que cada personagem tem do mundo e da vida.
O apuro visual de Maus Hábitos vem das origens do diretor – que trabalhou com comerciais. Embora esse excesso de rigor nas imagens possa eventualmente desviar o foco do filme, o significado delas – das privações, da negação, a crença religiosa – é forte o bastante para manter o interesse.
