O ator Thiago Martins (Era uma vez...) interpreta novamente o garoto da favela de bom coração, que sonha em sair do morro honestamente, e que na tela também se chama Tiago. Para realizar sua meta, ele conta com seu talento no futebol e tenta uma vaga quando há uma seleção de novos talentos de um time carioca.
A vida do rapaz não é fácil. Seu pai foi assassinado na sua frente quando ele era pequeno, num estádio de futebol. A mãe está doente e não sai da cama. Ele conta apenas com o apoio do irmão mais velho (Gabriel Mattar), que trabalha e não quer se envolver com os traficantes do morro, liderados por Tubarão (Lui Mendes).
Mas Tiago é uma combinação entre inocência e necessidade e acaba aceitando ajuda de Tubarão, quando a mãe passa mal e precisa de médico e remédios. A vida do rapaz fica mais complicada ainda quando ele se envolve com a irmã do traficante, Juliana (Naima Santos).
A partir de então, muita coisa começa a dar errado na vida de Tiago, que é ligado a alguns crimes por acompanhar seu melhor amigo, Sabiá (Luís Otávio Fernandes).
Com uma fotografia trabalhada e montagem ágil, Show de Bola procura um lugar à sombra de Cidade de Deus. Talvez Pickl tenha visto o filme de Fernando Meirelles e pensado que poderia ser fácil fazer um trabalho sobre o mesmo tema. Mas a sua falta de familiaridade com o cenário brasileiro, a dinâmica de uma favela e a própria brasilidade depõem contra o seu filme.
Tão carregado na sua boa vontade, quando na sua ingenuidade, com uma favela com cara de cidade cenográfica, Show de Bola não encontra algo de novo ou relevante para dizer – ao menos para os brasileiros.
