19/07/2026
Drama

Ainda Orangotangos

Algumas horas na vida de 15 personagens em Porto Alegre num dia de verão, quando acontecem coisas estranhas na vida dessas pessoas. O filme é um plano-seqüência de 81 minutos.

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Curta-metragista premiado, com filmes como Velinhas (98) e Início do Fim (2005), que competiu nos festivais internacionais de Sundance (EUA) e Roterdã (Holanda), o cineasta gaúcho Gustavo Spolidoro decidiu que seu primeiro longa-metragem, Ainda Orangotangos, seria realizado com um desafio técnico – ser feito num único plano-seqüência, ou seja, sem cortes, em seus 81 minutos de duração.

Para que Ainda Orangotangos pudesse ser concretizado, a produção teve que ser extremamente planejada, já que a filmagem ocorreu, em boa parte, nas ruas de Porto Alegre e dentro de ônibus, acompanhando a mudança de luz entre amanhecer e anoitecer. O roteiro, do próprio Spolidoro e Gibran Dipp, adaptou seis contos do escritor gaúcho Paulo Scott.

Nessas diversas histórias que se cruzam, uma seguindo a outra sem uma ligação direta a não ser acontecerem na mesma cidade, passa-se por todo tipo de situação, do drama à comédia. Na primeira dela, um casal de namorados de origem japonesa viaja no metrô. Os dois dormem. Até que, quando vão descer, o rapaz descobre que a garota está morta. Ou parece estar.

A câmera segue esse rapaz até o mercado – o Mercado Central de Porto Alegre -, onde ele vende um relógio a um menino. A câmera acompanha esse menino dentro de um ônibus, onde acontece talvez a discussão mais engraçada do filme, envolvendo duas mulheres que fazem uma estranhíssima ligação entre as visitas do Papa a Porto Alegre e as vitórias no campeonato estadual dos dois principais times locais, o Grêmio e o Internacional.

Torcedor do Internacional, o cineasta realizou também um documentário sobre a vitória de seu time no campeonato mundial da FIFA, Gigante – como o Inter Conquistou o Mundo. Lançado em 2007 em cinema e DVD, este documentário foi filmado depois de Ainda Orangotangos que só chega às telas agora.

A idéia já havia sido testada pelo diretor num curta, Outros (2000). Muitos anos antes disso, o inglês Alfred Hitchcock já havia testado a idéia de abolir a montagem, filmando suas cenas em continuidade até que os rolos do filme se esgotassem no seu ótimo Festim Diabólico (1948).

A questão que se coloca, porém, não é a novidade, o ineditismo de um longa feito num único plano-seqüência - desafio técnico considerável mas um tanto vazio, no caso do filme de Spolidoro. O motivo - não há um roteiro suficientemente significativo que segure a façanha técnica. E, sem isso, o filme não vibra tudo o que se poderia esperar.

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