A fonte de inspiração do filme vem de As Mulheres, filme de 1939 do diretor George Cukor, um daqueles cineastas que mais entendeu de mulher em Hollywood e botou em cena ali um time dos sonhos: Norma Shearer, Joan Crawford, Rosalind Russell, Paulette Goddard, Joan Fontaine.
Quase 70 anos e várias temporadas de Sex and the City depois, a reciclagem do filme de Cukor tinha mesmo de ser bem diferente do original. Mas por que essa diferença parece, invariavelmente, para pior?
A personagem central, Mary Haines (Meg) é rica, bonita e acha que é feliz no casamento. Isso até descobrir, por meio do papo furado de uma manicure, que o marido a está traindo com uma balconista da perfumaria do magazine Sak’s (Eva Mendes). Abalada pelo turbilhão emocional, ela ouve da mãe (Candice Bergen) aquele velho papo conformista de que homem é tudo igual. Mas Mary não quer se conformar e rompe com tudo em busca de uma outra vida.
Sua melhor amiga, Sylvie (Annette Bening), trilhou outro caminho – não quis ter filhos e mergulhou de cabeça na carreira de jornalista. No momento, se desdobra para fazer decolar uma nova revista, mas nada parece estar dando certo. Outras amigas da mesma turma são Edie (Debra Messing), que não faz mais nada do que ter um filho atrás do outro, e Alex (Jada), lésbica assumida.
Os ecos de Sex and the City ficam mais nítidos na figura de Sylvie – que parece uma cópia piorada de Samantha (Kim Cattrall) – e na opção profissional de Mary após a separação, designer de moda. E, o que é pior, com jeito de déja vu e nenhum sabor especial.
O humor, especialmente, trava o tempo todo em Mulheres...Sexo Forte trava o tempo todo. O filme não respira. Oscila entre o melodrama e a comédia, mas não se encontra em nenhum dos dois registros. Desperdiça suas boas atrizes numa trama frouxa, que não diz a que veio. Pode ser inexperiência da diretora ou quaisquer outros motivos. Mas o fato é que retrato da mulher atual é que isto não é.
