Musicagen é para parecer uma brincadeira – se é divertida ou não, depende da paciência de quem o vê. O documentário pretende mostrar que a música pode existir independente de um cânone, ou da posse de dinheiro. Sardo, por exemplo, ensina crianças carentes a fazer instrumentos musicais alternativos, reciclando materiais como canos e bexigas.
Quando os diretores estão abordando um lado mais brincalhão do assunto, por assim dizer, até têm algo de relevante a destacar – em especial nas conversas entre Sardo e Abujamra. Mas há questões muito pertinentes e complexas sobre o tema que passam batido, como a declaração genial do maestro Medaglia: ‘essas músicas idiotas que são feitas hoje em dia no Brasil são boas para a indústria porque você se enche o saco logo e joga tudo no lixo’. Ou seja, ele quer dizer que a música produzida é descartável para ser logo reposta. Mas esse depoimento é tão mal aproveitado no filme, que não se chega a lugar nenhum.
Musicagen não pretende esconder sua precariedade – microfones aparecem em cena a toda hora, os diretores e outros equipamentos também. É quase um filme e o making of sendo exibidos ao mesmo tempo. Supostamente divertido, esse documentário atira para todo lado, eventualmente acerta algum alvo, mas por puro acidente.
