19/07/2026
Documentário

Pan-Cinema Permanente

Poeta, compositor, ator, produtor, multiartista, o baiano Waly Salomão (1943-2003) é o tema desta inspirada cinebiografia, que registra muitas imagens inéditas de suas conversas e viagens, reunidas ao longo de vários anos.

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Grande vencedor do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários em 2008, “Pan-Cinema Permanente, do diretor paulista Carlos Nader, revela algumas muitas faces do poeta e compositor baiano Waly Salomão (1943-2003).

Filho de pai sírio e mãe baiana, Salomão chegou a estudar Direito. Desde a adolescência, porém, foi fisgado pela poesia, sendo seu primeiro livro publicado em 71, Me Segura que eu Vou Dar um Troço. Não parou mais na carreira literária, vencendo o prêmio Jabuti, em 1997. Em 2003, tornou-se Secretário do Livro e da Leitura do Ministério da Cultura, na gestão de seu amigo Gilberto Gil.

Amigo e biógrafo do artista plástico Hélio Oiticica, Salomão aproximou-se dos tropicalistas no final dos anos 60, tornando-se um dos compositores preferidos das cantoras Gal Costa e Maria Bethânia e parceiro de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jards Macalé – com quem escreveu as canções Vapor Barato e Mal Secreto, que se tornaram sucesso na voz de Gal Costa. Entre outras músicas famosas, estão Mel e Talismã, parcerias com Caetano gravadas por Maria Bethânia, e Luz do Sol, parceria com Carlos Pinto.

Fazendo justiça à personalidade inquieta de seu biografado, Pan-Cinema Permanente recolhe suas manifestações de várias fontes, como as dos filmes em que ele atuou, Quilombo (84), de Cacá Diegues, e Gregório de Mattos (03), de Ana Carolina.

A maioria das imagens inéditas, que registram conversas com Salomão em viagens, são fruto da ampla convivência do diretor Nader com o poeta e compositor, que o filmou ao longo de 15 anos.

Nessa imagens, Salomão faz e desfaz seus próprios conceitos e mitos, negando num momento aquilo que acabara de afirmar. Contradição ambulante, ele tentava também se ocultar por trás dessas declarações aparentemente desconexas, mas que revelam também sua espantosa liberdade de pensamento e criatividade com as palavras.

Tentando dar conta de uma parte dessa pessoa criativa e contraditória, são entrevistados amigos do poeta, como o próprio Caetano, Antônio Cícero – com quem Salomão escreveu as letras do disco Zona de Fronteira, de João Bosco -, Gilberto Gil e seus filhos, Omar e Khalid Salomão.

O documentário registra algumas seqüências especialmente engraçadas, como a participação de Salomão num programa de TV síria onde, entre inglês e português, confunde seu entrevistador, que procura manter as regras do jogo. Em vão.

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