Exibido em competição em Gramado – de onde saiu sem nenhum prêmio, e muitas críticas negativas - Vingança chega ao circuito inaugurando um novo modelo de produção de baixo orçamento. O filme, orçado em R$80 mil, é o primeiro de quatro, frutos de uma parceira entre a produtora Pax e a distribuidora Riofilme. O custo baixo, porém, não justifica a falta de criatividade ou qualidade do filme que, em alguns momentos, mais parece uma réplica daquele antigo programa Você Decide, sem dar, aqui, a chance ao público de escolher nada – a não ser sair do cinema.
Como o título já explicita, essa é uma história de vingança. Crédito seja dado ao diretor e roteirista Paulo Pons que tenta, em vão, confundir a cabeça do público sobre quem está perseguindo quem. O filme começa com uma moça acordando na beira de um rio, com a roupa rasgada e toda suja. Ela é Camila (Barbara Borges), filha de um rico fazendeiro (José de Abreu), e foi estuprada. Corta para Rio de Janeiro. O misterioso, pois assim tem que ser, Miguel (Erom Cordeiro) chega à cidade e, mais tarde, acaba se envolvendo com a liberal e liberada Carol (Branca Messina, de Não Por Acaso).
A trama de Vingança deve, ou deveria, se complicar quando entra em cena Bruno (Marcio Kieling, de 2 Filhos de Francisco), irmão de Carol, que mora na Austrália e está de passagem pelo Rio de Janeiro. Mas, qualquer pessoa que assistiu a meia-dúzia de filmes ou algum capítulo de telenovela, é capaz de desconfiar aonde tudo isso vai chegar.
Pons quer, com sua história muito mal amarrada, criar um suspense de cunho moral, onde o ‘olho por olho’ deve ser o fio condutor do questionamento dos personagens. Deveria, se bem argumentado, colocar o público no mesmo dilema moral do protagonista que se questiona do valor de uma vingança. Mas, obviamente, não é nada disso que acontece. A vingança, enquanto razão de ser do filme e da narrativa, nunca é bem explicada, nunca convence o público a tomar partido – a favor ou contra o vingador. Algumas conexões são muito mal explicadas. Como o vingador sabe quem é estuprador? Ele sabe o nome, mas não a cara que ele tem. A desculpa é uma ‘tal foto’ que alguém comenta muito de passagem – o que não convence.
Aqui se confunde urgência narrativa com cortes rápidos e agilidade de câmera. O efeito é praticamente contrário àquele buscado pelo diretor que, com seus cortes, não dá tempo para as cenas crescerem até chegarem ao clímax. Isso, aliado a diálogos superficiais e filosofias baratas (“a felicidade é um cálculo matemático”, comenta alguém) transforma Vingança num prato de difícil digestão.
Mal dirigido, o elenco parece estar atuando cada um em seu próprio filme. Cordeiro tem um sotaque que vai e volta dependendo de com quem ele contracena – se os outros personagens são gaúchos seu sotaque também o é. Abreu, por sua vez, força no perfil de gaúcho da fronteira e acredita deixar uma marca no público – embora participe de uma cena apenas. Já à atriz Branca, que já mostrou muito talento em Não Por Acaso, parecem sobrar as piores frases.
