Um desses “línguas encantadas” é o encadernador de livros raros Mortimer Folchart (Brendan Fraser), pai de Meggie (Eliza Hope Bennett). Desde o misterioso desaparecimento de sua mulher, Resa (Sienna Guillory), ele deixou de lado a leitura em voz alta e procura desesperadamente o livro em que ela entrou - Coração de Tinta.
Visitando o sebo de uma cidadezinha atrás do livro, Mortimer encontra Dedo Empoeirado (Paul Bettany) – um homem que tem poderes mágicos para controlar o fogo e que foi trazido a este mundo por conta de uma leitura doméstica de Mo. Dedo está desesperado para voltar para sua mulher, no reino do livro, mas Mo não quer saber de atendê-lo. Refugia-se na casa de sua excêntrica tia-avó, Elinor (Helen Mirren), dona de uma esplêndida biblioteca.
Mas Mo é localizado em seu esconderijo não só por Dedo Empoeirado como por outros seres malignos trazidos das páginas do livro. Liderados por Capricórnio (Andy Serkis, o Gollum de O Senhor dos Anéis), os vilões planejam trazer para a terra o mais poderoso ser do mal de sua história, o gigantesco Sombra.
As aventuras seguintes envolvem a captura e fuga de Mo, ajudado por Dedo Empoeirado e Farid (Rafi Gavron), um rapazinho de As Mil e Uma Noites. Complica um pouco a coisa a descoberta de que a menina Meggie tem o mesmo talento do pai e que a mãe dela está em algum lugar do castelo dos malvados – onde são prisioneiros os macacos voadores de O Mágico de Oz, o crocodilo de Peter Pan e o Minotauro. No seu devido tempo, também o autor do livro Coração de Tinta, Fenoglio (Jim Broadbent), será localizado para restaurar a ordem das coisas.
Este intenso tráfego entre o mundo da realidade e da imaginação requer, como se pode prever, um uso intensivo de efeitos especiais, que dão conta do recado. O que falta é um ritmo adequado para que se ganhe envolvimento com os personagens, que parecem estar o tempo todo apenas correndo uns dos outros. Funcionou melhor no cinema a adaptação de outra história envolvendo a viagem de pessoas ao mundo dos livros, A História sem Fim, de Michael Ende - pelo menos o primeiro filme baseado nele, de 1984, dirigido por Wolfgang Petersen.
O diretor inglês Iain Softley, que caminhou bem no drama de época Asas do Amor, baseado em livro de Henry James, aqui não repete a dose.
