Por isso, é preciso prestar atenção ao ver Félix e Lola, que estréia com sete anos de atraso nos cinemas brasileiros – o filme foi realizado em 2001. Quando se acredita ter encontrado as respostas para tudo o que se vê na tela, Leconte consegue ir além e desconstruir sua própria história.
A produção, como o próprio nome já diz, mostra a curiosa relação entre Félix (Philippe Torreton, de Cavaleiros do Ar) e Lola (Charlotte Gainsbourg, de Eu não Estou Lá). Dono dos carrinhos de bate-bate de um parque de diversões, ele leva uma vida sem grandes emoções, a despeito do lugar onde trabalha.
Lá ele conhece Lola. Triste e solitária, a moça é um enigma que Félix é atraído a desvendar. Ela não fala de seu passado, mas a todo o momento tem reações exasperadas diante de pequenos gestos ou desenhos feitos por crianças.
Félix claramente se apaixona por Lola e a emprega no parque, mesmo sem saber o seu sobrenome. Lola corresponde a suas investidas, mas sempre dá a entender que poderá desaparecer no próximo minuto.
Como nada é simples com Leconte, o passado de Lola vem atormentá-la na presença constante de um cantor (Alain Bashung), aparentemente morto por Félix na primeira cena do filme. Se isso parece confuso, é só esperar pelos diálogos travados entre os dois homens.
Félix e Lola, certamente, é um filme menor de Patrice Leconte, daí o atraso na distribuição do filme. No entanto, nele pode ser visto todo o refinamento e competência do diretor que, nas sutilezas, conquista o espectador.
