Titãs, A Vida Até Parece uma Festa é um inventário carinhoso e bastante sincero da trajetória do grupo, desde seu surgimento, em São Paulo, em 1981 – quando era formado por Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Marcelo Fromer, Nando Reis, Tony Bellotto, Ciro Pessoa e Sergio Britto, colegas de colégio. Um ano depois, entrariam Branco e o baterista André Jung, depois substituído por Charles Gavin.
Desde 1986, Branco veio gravando bastidores de gravações e viagens dos Titãs, acumulando aí imagens inéditas, engraçadas e, para alguns, talvez polêmicas – como momentos em que os roqueiros puxam fumo.
Fora as imagens colhidas por Branco e, a partir de 2002, por Oscar Alves, que somaram mais de 200 horas de gravação, o material bruto recebeu ainda outras 100 horas de arquivos da TV – de onde saem alguns dos momentos mais engraçados da edição final do documentário, afinal reduzida a 1h30. Como uma participação dos Titãs no programa de Hebe Camargo, em que ela olha para eles e diz: “Mas isto é punk?”. Ao que Branco responde, ensaiadinho: “Não, é Sonífera Ilha”. E logo salta um playback da canção, que foi o grande sucesso de seu primeiro álbum, intitulado Titãs, de agosto de 1984.
Não são menos impagáveis as participações dos roqueiros em programas de auditório, como Chacrinha, Bolinha, Raul Gil e o extinto Perdidos na Noite comandado por Fausto Silva. Mas nada ganha de um dueto entre Paulo Miklos e o “rei” Roberto Carlos.
Amigos também contribuíram com imagens da primeira apresentação “oficial” do grupo, no Sesc Pompéia, e de um show pra lá de despojado, no extinto Lira Paulistana, ambos em 1982.
Um ponto positivo é que o documentário não se esquiva de expor as crises provocadas pela prisão de Tony Bellotto e Arnaldo Antunes por porte de heroína, em 1985, assim como a saída de membros do grupo, como Arnaldo Antunes, em 1992, e Nando Reis, em 2002, e finalmente a tragédia da morte de Marcelo Fromer, atropelado por uma motocicleta em São Paulo, em 2001.
