O tema é bom para um documentário – acompanhar alguns dos jovens músicos clássicos, entre 12 e 20 anos, apoiados pelo Projeto Villa-Lobinhos, no Rio de Janeiro, e que são originários de diversas regiões carentes e favelas daquela cidade.
Com honestidade e sem uma visão piedosa que costuma comprometer projetos deste tipo, o filme revela a dureza da vida de alguns e também a energia, o talento, o humor e a paixão desses jovens para superar as dificuldades e encontrar novos lugares na vida.
São particularmente felizes e bem humorados alguns momentos, como quando se acompanha um pequeno grupo a Nova York, onde eles se apresentarão a uma platéia endinheirada de potenciais patrocinadores do projeto. Impossível não compartilhar as confusões, a alegria e a benvinda ironia destes jovens com o luxo do hotel, da limusine que vem pegá-los para levá-los ao local do concerto, do figurino de smoking, além de suas alegrias em aventuras simples pelas ruas de Manhattan.
Embora pontuado por histórias positivas, o filme não deixa de lado alguns fracassos – como o de um garoto que deixa a escola, envolve-se com o tráfico e acaba morto. O caso acrescenta emoção e verdade a um filme de feitura simples, em que as dicas que vieram do co-produtor João Moreira Salles certamente foram ouvidas.
