Estamos em Paris, no ano de 1984. Por meio de Manu (Johan Libéreau) somos convidados a entrar na vida de cinco personagens, durante o exato período de um ano. Repleto de vida, o jovem desembarca na capital francesa à procura de trabalho e passa a dividir com a irmã, Julie (Julie Depardieu), um quarto barato de hotel. Num parque parisiense ele conhece o médico Adrian (Michel Blanc), em quem desperta paixão, mas de quem não exige nada além de amizade. É assim que Manu passa a conviver com o casal apresentado logo de início: Mehdi (Sami Bouajila), chefe de polícia local, e Sarah (Emmanuelle Béart), escritora cujo interesse por livros infantis desaparece com o nascimento do filho.
O competente olhar de Téchiné não pune nem despeja piedade sobre os personagens, que se colocam diante do sexo e do outro de maneira bem menos possessiva do que os demais latinos costumam fazer. O que soa moralmente natural na boca de um francês só adquire certa gravidade frente à epidemia de aids que assolou e assombrou o mundo naquela época.
O advento da doença, no contexto do filme, é meramente casual, mas faz com que as pessoas se deem conta da morte. O que hoje pode parecer exagerado, já que as novas drogas mantêm o vírus inativo por décadas, nos idos dos anos 1980 era a certeza não só de que o fim estava próximo como também de que seria doloroso.
Diante desse grande mal, os personagens revelam algo de suas essências e, frente à experiência, são impelidos a encontrar o que lhes servirá de razão para viver até o encontro final com a morte. E em meio a pulsões de amizade e de egoísmo, aprendem que, mesmo sendo a única certeza na vida, é muito difícil se acostumar com a ideia da morte numa realidade tão ilusória quanto fugaz.
