19/07/2026
Drama

3 Macacos

Eyüp é motorista de confiança do político Ercet. Quando este atropela e mata uma pessoa, em plena campanha eleitoral, convence o empregado a assumir o crime. Em troca, pagará seu salário e o indenizará no final da pena.

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Tudo neste admirável e intenso drama é silêncio, câmera, sutileza Com este trabalho, o cineasta turco Nuri Bilge Ceylan venceu o prêmio de melhor diretor em Cannes, um festival que regularmente lhe abre espaço. Lá foram exibidos por exemplo Climas (06), que estreou no Brasil só em 2008, e do ótimo Distante(02), inexplicavelmente inédito no circuito comercial nacional, apesar de ter vencido os troféus de melhor ator e o Grande Prêmio do Júri naquele festival.

Como é seu estilo, Ceylan aposta tudo na valorização dos primeiros planos dos seus protagonistas, exigindo grandes atores capazes de transmitir emoções complexas não raro num único olhar. E consegue isso de seu admirável trio de atores Yavuz Bingöl, Hatice Aslan e Ahmet Rifat Sungar, respectivamente como o pai, a mãe e o filho de uma família pobre corrompida por um político (Ercan Kesal).

No começo da história, o político Ercet (Kesal) atropela e mata uma pessoa numa estrada, numa noite chuvosa, em que ele dirigia com muito sono. Ele foge e convence, então, seu motorista Eyüp (Bingöl) a assumir o crime, para não enfrentar um escândalo em plena campanha política. Como compensação, faz-lhe a promessa de uma boa soma em dinheiro no final da pena de prisão que ele terá de cumprir, além de garantir mensalmente seu salário à mulher e ao filho.

Tentando realizar um sonho profissional do filho deslocado no mundo, Ismail (Sungar), a mãe Hacer (Aslan, belíssima e carismática) recorre ao político para um empréstimo em dinheiro. O encontro leva à sedução da mulher e acelera a desagregação moral deste núcleo familiar, que guarda entre seus traumas a morte de um filho criança (Gürkan Aydin) – que aparece, como fantasma, em duas cenas memoráveis.

O título remete à famosa imagem dos três macacos (um que não vê, outro que não ouve, outro que não fala), que traduz a impotência, a inabilidade de estar e de se comunicar no mundo, males que afetam todos nesta família. Em pinceladas rústicas, sem muitos diálogos, o filme evoca a crise familiar e o profundo desencontro entre homens e mulheres. Mesmo sendo única, a personagem feminina de Hacer consegue desenvolver a ambiguidade de seus papéis, mãe e esposa, mulher e amante, santa e pecadora, encarando o machismo de uma cultura dividida entre o Oriente e o Ocidente.

Pontuado por silêncios, 3 Macacos requer a participação ativa do espectador para preencher suas lacunas e escutar a fundo a alma dos personagens.

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