19/07/2026
Drama

A Janela

Velho escritor de 80 anos, Antonio vive isolado e doente em sua propriedade na Patagônia. Cercado de suas duas empregadas, ele espera ansiosamente a volta do filho, que ele não vê há muitos anos.

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Veterano premiado do cinema argentino, Carlos Sorin retorna a uma história de dramaturgia descarnada e minimalista em A Janela. Num filme que tem ecos assumidos de Morangos Silvestres (57), de Ingmar Bergman, o protagonista é o velho escritor Antonio (o escritor e roteirista uruguaio Antonio Larreta), vivendo seus prováveis últimos dias de vida.

A fragilidade de seu corpo, preso à cama e dependente de remédios, contrasta com a rebeldia de seu espírito, que parece disposto a sorver a máxima energia da natureza à sua volta. E mais – Antonio espera ansiosamente a volta do único filho (Jorge Diez), um pianista famoso,com quem ele não fala há anos.

Seguindo sua cartilha habitual, vista em trabalhos anteriores, como Histórias Mínimas (2002) e O Cachorro) (2004), Sorin não fornece muitas explicações. Não se conhece a causa desse afastamento entre pai e filho. Não se sabe muito sobre a mulher dele, que morreu há muito, e de quem restou um retrato a óleo na parede. Igualmente, pouco se revela sobre as duas empregadas da casa (Maria Del Carmem Jiménez e Emilse Roldán), que se revezam na atenção constante ao velho dono.

A janela do título torna-se, assim, a metáfora da possibilidade de escapar para a vida externa, o que Antonio até fará, reunindo toda a sua energia – uma bela sequência visual do filme, em que a fragilidade física de Antonio é, mais uma vez, superada pela sua férrea vontade de ir de encontro a um vasto campo ao sol seco da Patagônia. Um campo que é também outra metáfora da sexualidade e do tempo.

Um personagem curioso é o afinador de pianos (Roberto Rovira), chamado para preparar o velho instrumento abandonado para a visita do filho. Observador de fora, ele fornece momentos de real ironia e humor com seus comentários, quebrando a solenidade sentida na velha casa.

Lacunar, A Janela se aproxima às vezes da economia narrativa dos filmes de sua compatriota Lucrecia Martel, ainda que sem a mesma radicalidade, já que compreende também um naturalismo quase documental em diversos momentos. Em todo caso, para aproximar-se deste filme, o espectador terá de munir-se de muita entrega porque, nesta história, o sentido está, mais do que nunca na obra de Sorin, no prolongamento do tempo e na atenção a toda uma série de pequenos detalhes.

A Janela venceu o prêmio FIPRESCI (da Federação Internacional dos Críticos) no Festival de Valladolid (Espanha).

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