O diretor do documentário, Pedro Caldas, não se limita àquelas manifestações mais típicas do interior do Estado, como o jongo e o cururu, mas dá um bom espaço para aquelas urbanas como o hip-hop e o samba de partido alto. É curioso ver na tela pessoas de diferentes idades fazendo algo que tem uma raiz em comum: criar versos a partir do improviso. Por mais díspares que os estilos possam parecer – e realmente são – a base é a mesma, o jogo de palavras dos versos que são criados ali na hora.
Por mais que os ‘trovadores’, sociólogos ou estudiosos tentem encontrar uma explicação, o fascínio da criação de poesia em tempo real, que muitas vezes diverte ou protesta, é inegável e uma manifestação quase primária – talvez ligada aos primórdios do homem, quando as comunidades se reuniam em torno da fogueira para contar histórias.
No fundo, essa poesia oral e espontânea é o registro de um momento sócio-cultural. As variações servem apenas para provar a diversidade cultural do Brasil. Versificando faz um pequeno registro dessa manifestação artística – mas, mesmo assim, muito válido.
