A combinação de vídeos familiares com imagens recentes feitas por Sandrine permite acompanhar 25 anos na vida das duas irmãs. No passado, Sabine era uma bela moça, livre, com muitos sonhos e planos. Essa imagem é entrecortada pela Sabine do presente, obesa, depressiva, internada numa clínica de tratamento e dada a surtos de abuso e violência.
No passado, as duas irmãs viajaram para Nova York, um sonho de Sabine. Hoje, a moça revê imagens daqueles dias, chora e explica que as lágrimas são de alegria. Nesse intervalo de anos, Sabine passou por diversos tratamentos e levou muito tempo para ser diagnosticada corretamente. Em certos momentos, Sandrine, narrando em off, parece fazer um mea culpa familiar, o que levanta uma questão de quão diferente seria a moça se tivesse passados por tratamentos diferentes dos que recebeu nos hospitais psiquiátricos.
Privilegiando um lado mais humanista, O Nome dela é Sabine é comovente e delicado, sem deixar de lado aspectos informativos. Atualmente, a irmã de Sandrine está numa clínica, recebendo tratamento mais adequado. Além de fazer exercícios físicos regularmente, jardinagem e participar de uma vida em sociedade, ali os pacientes são estimulados a interagir.
Não deixa de ser curioso que, ao longo de mais de duas décadas, Sandrine filmou essa irmã, um ano mais nova do que ela. É como se ela já esperasse um declínio e soubesse que Sabine jamais seria a mesma.
Sandrine é resistente a aparecer diante de sua própria câmera e só o faz quando isso se torna inevitável. Nesse momento, o lado documentarista sai de cena para dar espaço para a irmã. Sabine é extremamente dependente – não apenas fisica, mas também emocionalmente. Não são poucas as vezes em que ela demonstra insegurança, perguntando repetidamente se a irmã irá visitá-la no dia seguinte. E Sandrine, sempre dedicada, responde que sim.
Atualmente, fica claro que Sabine está progredindo e se tornou menos agressiva, mas um pouco mais dependente e carente. A imagem da menina de espírito livre que pula na água estará eternizada no granulado dos filmes de família. A imagem do presente ainda é melancólica, mas O nome dela é Sabine deixa uma ponta de esperança para o futuro.
