Com muito sangue e esquartejamento, o longa segura a tensão às custas de um certo esquematismo narrativo que, para isso, força algumas situações. Não que isso atrapalhe os propósitos do diretor Na.
Joong-ho Eom (Yun-seok Kim) é um personagem moralmente ambíguo. Trabalhou como policial, mas foi expulso da corporação e agora ganha a vida cafetinando prostitutas de luxo. Duas de suas 'funcionárias' desapareceram. Ele desconfia que foram sequestradas e vendidas. Quando o dono da mesma linha telefônica faz um novo chamado, ele manda Mi-jin Kim (Yeong-hie Seo) mas, antes, combina um esquema com ela.
Em O Caçador nada acontece sem grandes complicações. Mi-jin não consegue se comunicar com seu chefe. Começa uma longa jornada do cafetão noite adentro em busca da moça. Ele logo soma dois mais dois e circula pelas ruas do bairro para onde ela foi. Ela, por sua vez, foi deixada desacordada pelo maníaco (Jung-woo Há, de Fôlego) que fugiu depois de cometer outros assassinatos antes de tentar matar a garota.
É interessante, como O Caçador coloca cara a cara, logo em seu primeiro ato, perseguidor e criminoso. O encontro acontece casualmente e resulta em violência. Os dois são levados para uma delegacia, onde os policiais não sabem em quem acreditar. No período de um dia, o longa reserva dezenas de reviravoltas, algumas plausíveis, outras risíveis, mas todas excessivamente bem amarradas – o que tira um pouco o mérito do filme, pela insistência em juntar todas as suas pontas o tempo todo.
Ainda assim, apesar dos maneirismos visuais e narrativos, O Caçador não deixa de revelar méritos de seu diretor. Em seu subtexto, uma ácida crítica ao poder oficial e à incompetência da polícia. A performance do trio central, especialmente Yun-seok, no papel do cafetão, traz nuances que faltam a outros campos do filme. Se Na pretende ser levado a sério ou não, pouco importa. Aqui, a violência ganha um contorno muito próximo da realidade – o que acrescenta a O Caçador uma nota ainda mais assustadora.
