Quando diretor Alan Parker (de Evita e Mississippi em Chamas) lançou Fama, em 1980, o sucesso foi arrasador. Com uma história simples, de adolescentes em uma escola de artes em Nova York, o filme fugia dos padrões, trazendo uma profusão de performances e personagens que cativaram crítica e público.
Não por acaso, tornou-se antológica a cena dos estudantes invadindo a rua cantando e dançando a música tema Fame, parando o tráfego da cidade que reúne o que há de mais pulsante na cultura mundial. Graças ao seu êxito, recebeu 16 diferentes indicações a prêmios como o Oscar, Bafta, Globo de Ouro, entre outros, e até chegou a virar uma longa série de TV (1982 a 1987).
Como se tornou uma referência pop, uma refilmagem seria um risco: como tornar a produção tão atraente para não ficar à sombra do original ? A opção para o novo Fama (de Kevin Tancharoen, até então, diretor de videoclipes) foi tornar-se mais uma releitura sobre o a vida dos adolescentes talentosos, do que propriamente fama.
Apesar de extrair algumas músicas (que recebem outras leituras), a refilmagem não tem a preocupação de que os jovens retratados sejam de qualquer forma contestadores. Fica a cargo do espectador pensar se isso é uma crítica geracional ou não.
Como na produção de Parker, a história acompanha um grupo de talentosos alunos, que enfrentam o rigoroso aprendizado da celebrada New York City High School for the Performing Arts. Dançarinos, atores e músicos que se prezem têm que ter no currículo uma formação nessa instituição.
Como conflito central há Denise (Naturi Naughton), uma aluna de piano clássico que, com a ajuda do problemático Malik (Collins Pennie) e Victor (Walter Perez), supera sua inibição e a contrariedade dos pais para tornar-se cantora de hip hop. Paralelamente a esse núcleo, há o romance entre Jenny (Kay Panabaker) e Marco (Asher Book), que é ameaçado pelo ator em ascensão Andy (Cody Longo).
Todas as histórias, invariavelmente, são apresentadas junto às sucessivas apresentações artísticas do grupo. Destaque para a reinterpretação da música Out Here On My Own, cantada por Irene Cara, em 1980, e, aqui, por Naturi Naughton – com uma pegada à la Beyoncé. A música Fame, que levou o Oscar de Melhor Canção em 1981, é apenas apresentada nos créditos, também em uma versão mais hip hop.
No fim, aqueles que sempre gostaram de Fama não verão qualquer semelhança entre as duas produções. A falta de conexão entre os roteiros é evidente, já que Christopher Gore, grande responsável pelo sucesso do filme original, morreu em 1988. Sobrou para Allison Burnett (de Sem Vestígios), inexperiente em musicais, modernizar a trama, que não passa de mais do mesmo sobre jovens que cantam e dançam – vide a franquia High School Musical ou a série de TV Glee (Fox).
