Depois de 14 anos longe do set, mas não da cena – em 2002, lançou o livro De Godard a Zé do Caixão (editora Funarte) – volta às telas com Um Lobisomen na Amazônia. Na produção, o diretor carioca mostra que mantém sua verve cômica, ao colocar seus personagens nas situações mais nonsense que pode idealizar.
Como o título já entrega, o filme começa em uma pequena aldeia na floresta, assombrada pela presença de um lobisomem. Essa não é a única ameaça na região. Aparece por lá o Dr. Moreau, o cientista louco do romance de ficção científica de H.G.Wells, que pretende transformar animais em homens por meio de cirurgias e hipnose.
Apesar dos perigos, um grupo de incautos, liderado por Natasha (Danielle Winits) chega ao local para experimentar o cipó ayahuasca, em um ritual de Santo Daime. Com ajuda do misterioso guia JP (Evandro Mesquita), eles chegam ao epicentro das mortes e a doses cavalares do alucinógeno.
Paralelamente, age o delegado Barreto (Tony Tornado) e o zoólogo Corman (Nuno Leal Maia, com um variável sotaque inglês) que trabalham para desvendar as mortes. E também um grupo de Amazonas seminuas, diretamente relacionadas aos experimentos do Dr. Moreau.
Toda essa caótica trama foi baseada (livremente) no romance de 1925, A Amazônia Misteriosa, de Gastão Cruls, livro certamente inspirado em A Ilha do Dr. Moreau, de Wells, que une ficção científica a leituras folclóricas sobre as amazonas. Uma história com que só um cineasta como Ivan Cardoso poderia se deliciar.
Com uma filmografia saborosa para quem gosta de terror, com títulos como Nosferato in Brazil, O Segredo da Múmia e As Sete Vampiras, o diretor ganhou no ano passado uma biografia, Ivan Cardoso – O Mestre do Terrir, assinada pelo pesquisador de cinema Remier Lion.
