08/06/2026
Drama

Hanami - Cerejeiras em Flor

Depois que a mulher de Rudi morre, ele resolve fazer a viagem que ela sempre sonhou – conhecer o Japão. Ao chegar lá, é ignorado pelo filho, que passa o tempo todo trabalhando, e trava amizade com uma garota, que sofre pela morte da mãe.

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O drama alemão Hanami – Cerejeiras em Flor mostra como a vida dá voltas inesperadas. Flertando seriamente com a cultura japonesa, o filme da diretora alemã Doris Dörrie (Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro) muitas vezes se deixa encantar demais com o exotismo e se esquece de aprofundar os personagens e tramas, esbarrando sempre no olhar do estrangeiro encantado com o diferente.

No filme, Rudi (Elmar Wepper) é um homem de certa idade que está doente e tem pouco tempo de vida. Ele ignora isso, mas sua mulher, Trudi (Hannelore Elsner, de Todos contra Zucker), sabe e lhe esconde o fato. Ela quer convencê-lo a viajar para o Japão e visitar o filho e conhecer o Monte Fuji – um sonho dela.

Embora ele se mostre irredutível, eles acabam indo para Berlim visitar os outros dois filhos. Depois, seguem para a região do oceano Báltico. Porém, são surpreendidos pelas reviravoltas do destino. Trudi morre inesperadamente depois de um passeio na praia e, sozinho, Rudi tem de se adaptar a uma vida nova. Só então ele vê a necessidade de fazer a viagem ao Japão que tanto sua mulher planejara. Hospedado no minúsculo apartamento do filho Karl (Maximilian Brückner, de Uma mulher contra Hitler), ele passa os dias fechado e sozinho, zapeando por uma programação de televisão que não entende, já que não fala japonês.

Mas o personagem é teimoso demais para ficar fechado em casa e começa a explorar Tóquio. A cidade, que combina modernidade e tradição, o seduz e assusta a mesmo tempo. Num parque, ele conhece uma jovem que faz dança Butô. Ela se chama Yu (Aya Irizuki) e também atravessa por um momento delicado. Depois de perder a mãe, passa o tempo se “comunicando” com ela por meio de sua dança.

É uma amizade inusitada que surge entre os dois e a diretora carrega um pouco nas tintas do sentimentalismo e das metáforas. Se fosse mais comedida, talvez o filme fosse mais eficiente, pois aborda temas bastante relevantes e delicados, como o da superação da perda e os ciclos da vida.

Fica a impressão que a intenção da diretora não é apenas a de fazer um filme que se passe no Japão, mas de imitar um estilo de cinema japonês. A busca pela simplicidade e a temática dos sentimentos na vida cotidiana remetem diretamente ao cineasta Yasujiro Ozu – autor de clássicos como Pai e Filha e Contos de Tóquio. Mas, por mais que tente entrar na pele do cinema japonês, a diretora sempre esbarra no fato de ser uma alemã falando do Japão, uma terra tão fascinante quanto desconhecida.

Apesar de momentos de beleza visual, o gosto de Doris por metáforas pouco sutis e uma emotividade forçada prejudicam o ritmo da narrativa. A necessidade de explicar tudo verbalmente parece indicar que a diretora não acredita muito na capacidade de compreensão do público

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