Crítico é um projeto que levou quase dez anos para ser feito. Nesse tempo, o crítico de cinema, jornalista e curtametragista recifense Kleber Mendonça Filho entrevistou cineastas e críticos por diversos festivais por onde passou, como Cannes e Berlim.
O documentário investiga a relação entre críticos, cineastas e público – um debate que parece jamais ter fim. São depoimentos de diretores renomados, como Gus Van Sant (Paranoid Park), Walter Salles (Central do Brasil) e Carlos Saura (“Fados”) e críticos de cinema de diversas nacionalidades, como Luiz Zanin Oricchio, do Jornal O Estado de S. Paulo, e Deborah Young, que trabalhou na Variety quase três décadas e que mora em Roma.
Sem fazer julgamentos que pudessem pender para o lado dos críticos ou dos cineastas, o filme se contenta em deixar essa questão para o público. Também está implícita na discussão a mudança no status da crítica, que tem oscilado desde a difusão da internet.
Talvez uma parte do problema esteja na quantidade de pessoas despreparadas que assumem a posição de crítico de cinema – quando, muitas vezes não passam de contabilizadores de filmes assistidos. Num momento em Crítico, por exemplo, um jornalista brasileiro pergunta a Samuel L. Jackson como foi participar da série de filmes Matrix. O ator famoso, que protagonizou Pulp Fiction – Tempos de Violência, entre outros, mas nunca esteve nem nos sets da saga cibernética, ri e ainda ironiza a falta de informações do jornalista.
Em 2004, a atriz portuguesa Maria de Medeiros assinou outro documentário com a mesma temática, Je t'aime... moi non plus: Artistes et critiques – exibido na Mostra de São Paulo daquele ano. Em seu filme, a diretora explora a mesma relação entre artistas e críticos e o quão saudável ou doentia essa interação pode ser. Ao longo dessa meia década que separa os dois filmes, a questão parece não ter mudado muito.
