Marco, também conhecido como Khamsa (o estreante Marc Cortes), é um garoto cigano de 13 anos que fugiu do orfanato e volta para o acampamento onde estão seu pai, a avó, um primo e amigos. Ele não tem laços fortes com ninguém, não frenquenta a escola e tem uma tendência piromaníaca.
Dirigido e roteirizado por Karim Dridi (Cuba Feliz, Bye, Bye), o filme é uma espécie de versão cigana de Os incompreendidos, de François Truffaut. Khamsa vaga por Marselha ao lado do primo (Tony Fourmann) e de um amigo apelidado Coiote (Raymond Adam) – as únicas pessoas que realmente se preocupam com ele. O pai (Simon Abkarian, de Cassino Royale) tem muitos filhos e namoradas demais para dar atenção ao garoto. A ex-madrasta (Magali Contreras) o odeia tanto que o denuncia para a polícia.
Ao lado de Coiote, Khamsa começa a praticar roubos pela rua da cidade. Eles têm como companheiro um garoto de origem árabe (Mehdi Laribi). No entanto, quando os planos começam a dar errado, a lealdade passa a ser questionada e questões étnicas se tornam possíveis evidências de traições.
Khamsa, cuja mãe era muçulmana, vive numa situação limítrofe, sendo hostilizado pelos árabes e também pelos ciganos. Apesar disso, o garoto tenta promover a paz e a amizade entre os dois grupos com quem se relaciona. Mas a tragédia anunciada se torna inevitável. Seu apelido vem do pingente com o símbolo islâmico de mesmo nome que ele carrega no pescoço.
O filme é simpático ao personagem e o transforma em vitima das circunstâncias. Os erros do protagonista são o resultado, na verdade, de sua busca por amar e ser amado, pela sua necessidade de criar vínculos.
