27/07/2026
Drama Comédia

Tulpan

Voltando para sua aldeia, no Cazaquistão, depois de terminar o serviço militar, o jovem Asa quer começar sua vida adulta. Pede a mão de Tulpan, a jovem mais bonita de sua região. Mas ela recusa e ele entra em crise. O filme retrata também o modo de vida rural desse país.

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Tulpan é um filme que se passa no Cazaquistão, um país tão distante e misterioso para nós que é como se ficasse em outro planeta. As condições de vida são, aliás, um tanto inóspitas. Num dado momento, alguém comenta sobre “os planos do presidente para fazer o Cazaquistão um país com água limpa e ar puro”. Os protagonistas são uma família nômade com contato praticamente nulo com a civilização e que transitam por uma estepe que parece não ter fim, nem lá onde o céu e a terra se encontram.
 
O filme é dirigido pelo documentarista cazaque Sergey Dvortsevoy, que aqui estreia na direção de ficção, num longa que caminha em passos confiantes na linha tênue entre o ficcional e o documental. Em sua essência, Tulpan é uma comédia de amor juvenil, sobre um jovem que está descobrindo o mundo e as alegrias e frustrações que decorrem da experiência.
 
Asa (Askhat Kuchencherekov) acabou de completar o serviço militar na marinha e volta para a sua aldeia com o intuito de casar e se tornar um pastor. A escolhida é Tulpan. Ele agrada à família dela, conta histórias fantásticas sobre seus feitos em outras terras, como o encontro com polvos gigantescos. Ele é a maior novidade que há para aquelas pessoas.
 
Tulpan, no entanto, não o aceita. O motivo: ele tem orelhas grandes. O rapaz fica desolado e começa a comparar suas orelhas com as do príncipe Charles, da Inglaterra, num pôster do nobre ao lado de Lady Di. O motivo real da recusa, como se descobre mais tarde, é outro. Nada pode aliviar a melancolia de Asa e ele continua, por todo o filme, perdidamente apaixonado por Tulpan.
 
A vida naquela região do Cazaquistão é explorada nas figuras da família de Asa, que mora com a irmã, Samal (Samal Yeslyamova), e o cunhado, Ondas (Ondasyn Besikbasov), um pastor de ovelhas que é o modelo e mentor de Asa. O rebanho de ovelhas e carneiros de Ondas, aliás, enfrenta um grave problema: os filhotes têm nascido mortos.
 
Tulpan, em sua carreira, já ganhou diversos prêmios, sendo o mais importante o de melhor filme da mostra Um certo olhar, no Festival de Cannes em 2008. A forma como Dvortsevoy retrata o lugar, as pessoas e seus costumes poderia cair facilmente num retrato etnográfico frio, distante, que olha de cima para baixo ou condescendentemente. O diretor evita tudo isso ao contar uma história humanista em que os personagens sobressaem e suas ações e emoções são as consequências – e não as causas – daquilo que são.
 
Há uma cena climática em Tulpan, o nascimento de um carneirinho. Por sua dificuldade e beleza em ser filmada e seu caráter documental, o momento ganha ares metafóricos. O filme, ao final, é uma celebração da vida, que se renova a cada dia, apesar do amores frustrados. 
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