03/06/2026
Drama

Pecado da Carne

Aaron herda um açougue de seu pai numa comunidade ultra-ortodoxa de Jerusalém. Mais tarde, ele acaba se envolvendo com um rapaz que trabalha com ele, o que causa a desconfiança de sua mulher e revolta de alguns membros da comunidade.

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O drama Pecado da Carne poderia ser a versão israelense de O segredo de Brokeback Mountain, ao mostrar dois judeus ortodoxos que se apaixonam e embarcam num romance complexo e praticamente fadado à tragédia, ou pelo menos, à decepção. Mas não é apenas tematicamente que este se aproxima do filme de Ang Lee. O diretor Haim Tabakman lida com as emoções de forma contida, cozida numa espécie de fogo brando tão caloroso quanto doloroso.
 
O filme explora o conflito entre o desejo sexual e as obrigações religiosas. A fé pode trazer tanto o consolo para a desolação quanto o peso da culpa, assim como o sexo que traz o prazer, mas também pode carregar a confusão e o medo.
 
Aaron (Zohar Strauss, de Lebanon, filme vencedor do Festival de Veneza do ano passado) herda um açougue numa comunidade ultra-ortodoxa em Jerusalém. Seu pai era reconhecido como um tzaddik, ou seja, um homem honrado. Ele, por sua vez, acaba se envolvendo com Ezri (Ran Danker), um rapaz que o ajuda no estabelecimento e mora no andar de cima.
 
Em casa, Aaron tenta ser o marido que sempre foi – com alguns momentos de intimidade com sua mulher, Rivka (Tinkerbell), e se esforçando para ser bom pai. Mas esta é uma sociedade que segrega a mulher, e ela fica a cada dia mais distante do marido. Aos poucos, os demais homens da comunidade desconfiam de algo e começam a pressionar o açougueiro. Uma verdadeira patrulha invade o açougue de Aaron e, consequentemente, sua vida, fazendo julgamentos e cobranças.
 
Tabakman lida com isso de forma bastante contida, sem nunca se exceder no melodrama, nem buscar uma catarse. Ele explora as nuances de seus personagens, visando a profundidade na história e na vida deles. Visualmente, também, o diretor mostra que não é aprendiz. Num momento, por exemplo, quando os dois personagens centrais se julgam sozinhos, um carro passando casualmente pela rua mostra em seus vidros um grupo vigiando Aaron e Ezri.
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