A câmera de Ghobadi mostra, com imagens deslumbrantes, as montanhas geladas da fronteira Irã-Iraque, onde é ambientada a maior parte do filme. Num estilo quase documental, o diretor traduz a dura vida do seu povo, os curdos. Literalmente espremido entre dois grandes países, estas pessoas usam de vários expedientes, legais ou não, para corajosamente fugir à pobreza.
A história dos irmãos órfãos é narrada por Ameneh, a mais jovem deles, que tem pelo irmão Ayoub verdadeira adoração. Afinal, é ele quem, aos 12 ou 13 anos, batalha no mercado central da cidade mais próxima à vila onde vivem, para conseguir trabalhar como carregador. Ao mesmo tempo, cuida de Ameneh e Madi, o irmão que sofre de uma distrofia muscular progressiva e irreversível. E na volta para casa, em velhos caminhões, tenta carregar livros escolares proibidos pelo governo iraniano às crianças curdas. Um verdadeiro herói para a irmã ávida por continuar os estudos.
Ao chegar à vila, num dia qualquer, os três irmãos recebem a estarrecedora notícia da morte do pai. O homem, que se tornara contrabandista para alimentar os filhos, morreu ao pisar numa das inúmeras minas, espalhadas ao longo de toda a fronteira Irã-Iraque. Agora, Ayoub não mais poderá viver apenas de pequenos expedientes para ganhar alguns trocados e conseguir livros para a irmã ou comprar remédios para aliviar as dores do irmão doente. Ele passa a ser o homem da casa e reinvidica, ao chefe do contrabando na vila, o lugar de seu pai no grupo. Junta-se como carregador ao bando de contraventores, que transportam pesados pneus e enormes fardos de material de construção, nas costas ou em mulas. Estes animais precisam ingerir álcool para suportar o frio aterrador das montanhas, daí o título do filme.
Além de sofrer com a pesada carga que leva, tentando se concentrar para não pisar em minas ou correr para escapar de emboscadas de outros grupos de contrabandistas, Ayoub se aflige com a piora do irmão. A solução aparece com o noivado da irmã mais velha e o compromisso da família do noivo em lhes dar dinheiro suficiente para uma cirurgia que pode ser a salvação do menino. Se Ayoub e os irmãos conseguirão superar todos estes obstáculos perde importância diante da monstruosidade que é o retrato de infâncias perdidas numa batalha cruel numa vida inóspita e estéril.
Ghobadi consegue transmitir com suas imagens a verdadeira expressão da solidão destas crianças sem meninice, apenas sobrevivendo. E a opção por trabalhar com crianças desta região remota do Irã torna o relato ainda mais comovente. É impressionate a força do olhar de Madi, o irmão com problemas graves de saúde.
A filmografia iraniana é repleta de histórias de crianças. Tempo de Embebedar Cavalos não foge à regra. Bahman Ghobadi, ex-assistente de direção de Abbas Kiarostami e ator principal de O Quadro-Negro, de Samira Makhmalbaf, estréia na direção com este comovente drama sobre crianças órfãs que lutam desesperadamente para sobreviver à miséria. A câmera de Ghobadi mostra, com imagens deslumbrantes, as montanhas geladas da fronteira Irã-Iraque, onde é ambientada a maior parte do filme. Num estilo quase documental, o diretor traduz a dura vida do seu povo, os curdos. Literalmente espremido entre dois grandes países, estas pessoas usam de vários expedientes, legais ou não, para corajosamente fugir à pobreza. A história dos irmãos órfãos é narrada por Ameneh, a mais jovem deles, que tem pelo irmão Ayoub verdadeira adoração. Afinal, é ele quem, aos 12 ou 13 anos, batalha no mercado central da cidade mais próxima à vila onde vivem, para conseguir trabalhar como carregador. Ao mesmo tempo, cuida de Ameneh e Madi, o irmão que sofre de uma distrofia muscular progressiva e irreversível. E na volta para casa, em velhos caminhões, tenta carregar livros escolares proibidos pelo governo iraniano às crianças curdas. Um verdadeiro herói para a irmã ávida por continuar os estudos. Ao chegar à vila, num dia qualquer, os três irmãos recebem a estarrecedora notícia da morte do pai. O homem, que se tornara contrabandista para alimentar os filhos, morreu ao pisar numa das inúmeras minas, espalhadas ao longo de toda a fronteira Irã-Iraque. Agora, Ayoub não mais poderá viver apenas de pequenos expedientes para ganhar alguns trocados e conseguir livros para a irmã ou comprar remédios para aliviar as dores do irmão doente. Ele passa a ser o homem da casa e reinvidica, ao chefe do contrabando na vila, o lugar de seu pai no grupo. Junta-se como carregador ao bando de contraventores, que transportam pesados pneus e enormes fardos de material de construção, nas costas ou em mulas. Estes animais precisam ingerir álcool para suportar o frio aterrador das montanhas, daí o título do filme. Além de sofrer com a pesada carga que leva, tentando se concentrar para não pisar em minas ou correr para escapar de emboscadas de outros grupos de contrabandistas, Ayoub se aflige com a piora do irmão. A solução aparece com o noivado da irmã mais velha e o compromisso da família do noivo em lhes dar dinheiro suficiente para uma cirurgia que pode ser a salvação do menino. Se Ayoub e os irmãos conseguirão superar todos estes obstáculos perde importância diante da monstruosidade que é o retrato de infâncias perdidas numa batalha cruel numa vida inóspita e estéril. Ghobadi consegue transmitir com suas imagens a verdadeira expressão da solidão destas crianças sem meninice, apenas sobrevivendo. E a opção por trabalhar com crianças desta região remota do Irã torna o relato ainda mais comovente. É impressionate a força do olhar de Madi, o irmão com problemas graves de saúde.
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