23/06/2026
Documentário

Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague

Para contar a história da Nouvelle Vague, esse documentário francês se vale de um vasto material de arquivo, com imagens de televisão, jornais, revistas e outras publicações da época do nascimento e ascensão do movimento. O foco do filme é a amizade e a posterior ruptura entre os cineastas François Truffaut e Jean-Luc Godard.

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Na história do cinema mundial, há uma ruptura no final dos anos de 1950, quando Os incompreendidos (1959) e Acossado (1960) chegaram fazendo muito barulho. A forma de se ver e fazer filmes nunca mais foi a mesma, isso graças a seus diretores, François Truffaut e Jean-Luc Godard, respectivamente, e um grupo de cineastas que vieram da revista Cahiers du Cinéma, como Jacques Rivette, Eric Rohmer, Jacques Demy, entre outros.
 
Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague, documentário de Emmanuel Laurent, disseca esse movimento cinematográfico que deixa sua marca até hoje. Mas, como indica o título que o filme ganhou no Brasil, foca-se na amizade entre os dois pais da Nouvelle Vague, que em bom português quer dizer ‘nova onda’. O longa mostra os altos e baixos no relacionamento entre os dois cineastas e como suas obras mantiveram um diálogo nem sempre proposital.
 
O documentário de Laurent é narrado em tempo presente, ou seja, não faz uma releitura da Nouvelle Vague 50 anos depois, e sim leva o público para uma viagem meio século atrás, quando Os incompreendidos e Acossado, entre tantos outros, começam a revolucionar o cinema. A jovem atriz Isild Le Besco surge como uma guia para esse passeio. É por meio de seu olhar curioso e inquisidor, visitando lugares, folheando jornais e revistas, que vivenciamos um passado que aparece na tela sem o mofo do tempo.
 
Outra figura em destaque no documentário é o ator Jean-Pierre Léaud. Alter ego de Tuffaut numa série de filmes, conhecidos como ciclo ‘Antoine Doinel’, o intérprete também trabalhou com Godard em vários filmes, com A Chinesa e Alphaville. Aqui, revela-se uma figura central na relação entre os dois cineastas e, mais tarde, a corda do cabo de guerra entre eles, quando a amizade acabou numa troca de cartas ofensivas em 1973, com Godard acusando Truffaut por se manter distante da política com seu filme A Noite Americana. Este respondeu numa outra carta de 20 páginas, condenando a teimosia e o egocentrismo do seu antigo companheiro, com quem dividira vários trabalhos, entre eles, o roteiro de Acossado.
 
Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague pode até não trazer nenhuma grande novidade sobre o assunto. Por outro lado, consegue injetar um certo frescor na viagem no tempo a que se propõe. O resultado é um olhar para o passado como se fosse presente, fazendo lembrar que o cinema pode ser muito mais do que filmes com orçamentos gigantescos com o único objetivo de faturar muito dinheiro.
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