Muita calma nessa hora é um filme com um título bastante auto-explicativo, com pouca criatividade e uma série de pontas de humoristas de diversas gerações. Afinal, mostra-se a colagem de uma série de gags de humorísticos televisivos amarradas por merchandising e pretensão. Roteirizada por Bruno Mazzeo, João Avelino e Rosana Ferrão, o filme tem direção de Felipe Joffily (Ódique?).
A trama é a mais surrada possível e parece extraída de uma novela das 7, com sol, praia, gente bonita com pouca roupa e menos neurônios. De um filme em que, antes da marca de 15 minutos, uma pessoa engasga com um preservativo, em matéria de mau gosto, tudo se pode esperar. A bem da verdade, “Muita calma nessa hora” não baixa o nível além disso, mas, também, em momento algum se esforça para o elevar.
Na trama, três amigas mal amadas e infelizes viajam para Búzios para um fim de semana. Elas são Tita (Andréia Horta, da série Alice, Mari (a ex-modelo Gianne Albertoni) e Aninha (Fernanda Souza, que um dia já foi Chiquitita). No caminho, dão carona a Estrella (Deborah Lamm, de Seja o que Deus quiser), que parece uma hippie de começo de século, cujas falas se misturam com frases cafonas e batidas da músicas brasileiras, do tipo ‘ele era um peruano que vivia na Bolívia e muitas coisas trazia de lá’.
Crédito deve ser dado a quem merece. E Deborah Lamm, aqui, é uma revelação. Deixando de lado a histeria chata de seu personagem em “Seja o que Deus quiser”, ela é capaz de dizer as frases mais absurdamente sem sentido e, ainda assim, manter uma cara séria, de quem realmente acredita no que está falando. Não fosse a presença dela, o filme seria intragável.
Tita e Mari disputam a atenção do surfista Juca (Dudu Azevedo) – e, como são muito boas amigas, parecem não se importar em dividir o mesmo homem. Já Estrella busca o seu pai, seguindo uma única pista, a tatuagem de sol que ele tem nas costas. Enquanto isso, Aninha proclama sua indecisão incapaz de escolher um brinco, uma tatuagem ou um drinque.
Como muitas das comédias, “Muita calma nessa hora” calca-se em cima de tipos e tenta extrair humor da ridicularização destes – como é o caso da beata vivida por Maria Clara Gueiros, ou o paulista, interpretado pelo apresentador Marcelo Adnet. Outros comediantes fazem pontas de maior ou menos duração, como é o caso de Sérgio Mallandro – um tatuador que procura lembrar o personagem de Mickey Rourke em “Os mercenários” – e o apresentador Marcos Mion, que parece ter aceitado participar do filme apenas para aparecer sem camisa.
A direção de Felipe Joffily guarda todo o seu arsenal para uma delicada – até demais – cena de sexo, filmada apenas com closes nos rostos dos personagens. Seria um momento bonito, se não fosse completamente estranho por estar cercado por todo o resto do filme, que se desenrola numa total banalidade de câmera e fotografia. Fica parecendo pura pretensão. Talvez, no fundo, ao colocar em cena personagens ocos, o longa quisesse criticar o vazio de uma geração. Mas aí também seria dar crédito demais ao filme.
