20/06/2026
Documentário

Vida sobre rodas

A história do skate no Brasil passa pelas carrreiras de Bob Burnquist, Sandro Dias e Cristiano Mateus – hoje, alguns dos nomes mais importantes no esporte. Em meados dos anos de 1980, eles acompanharam os primórdios do skate no país. Esse documentário acompanha não apenas a trajetória deles, mas também a evolução da modalidade em terras brasileiras.

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Vida sobre rodas é, a princípio, um documentário sobre skate no Brasil. Mas, no fundo, é, na verdade, uma ação entre amigos na qual o diretor, Daniel Baccaro, reúne uma turma de skatistas famosos que trocam lembranças e impressões sobre suas vidas, carreiras e o esporte.
 
O filme é uma celebração tanto do esporte quanto das figuras de Bob Burnquist, Sandro Dias, Lincoln Ueda e Cristiano Mateus – nomes de ponta do skate nacional que começaram na década de 1980. E alguns continuam até hoje com fama internacional.
 
Para os não-iniciados, o filme tem um esquema bastante explicativo para mostrar quem são cada um dos rapazes, sua importância no cenário nacional e internacional e o desenrolar de sua carreira. Mas Vida sobre rodas é mesmo para skatistas – as imagens são mais interessantes, boa parte do tempo, do que as entrevistas. São manobras – do passado e do presente – que colorem a tela.
 
As entrevistas – que além do quarteto traz esportistas renomados como Christian Hosoi, Lance Mountain e Tony Hawk –, muitas vezes, têm um tom memorialista, com os protagonistas revirando seus baús de memórias de um tempo em que andar de skate era uma mistura de transgressão e ato político.
 
Baccaro, no entanto, concentra-se no skate como uma prática esportiva, tocando superficialmente na manifestação cultural, política ou forma de expressão pessoal. O filme lembra momentos como o da proibição de se andar de skate em São Paulo, determinada em 1988 pelo então prefeito Jânio Quadros. Praticar o esporte se transformou em mais do que um ato de rebeldia.
 
No documentário, são momentos como esse que trazem densidade e mais interesse para quem não é skatista. Assim como quando Baccaro investe nas histórias pessoais dos praticantes. Muitas das imagens vieram do arquivo pessoal de Ueda, Dias e do extinto programa de televisão Grito da Rua. Quando o filme investe num tom intimista – a relação de amizade entre os rapazes, os laços familiares – é quando finalmente aumenta o seu escopo e sai do gueto esportivo. É o que há de melhor no longa.
 
Evitando temas mais polêmicos – como drogas, por exemplo – Vida sobre rodas passa longe de fazer um raio-X do movimento skatista na década de 1980 no Brasil,  mas isso também não parece ser o objetivo de Baccaro. Nesse sentido, uma pesquisa na internet pode ser até mais elucidativa, mas não se terá o mesmo prazer de saborear algumas histórias narradas por seus protagonistas.
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