06/06/2026
Drama Comédia

Dieta mediterrânea

Sofia, Toni e Frank cresceram juntos numa pequena cidade espanhola. Louca por cozinhar, Sofia comanda o pequeno restaurante dos pais e casa com Toni. Quando sua vida parece resolvida, reaparece Frank e o equilíbrio muda radicalmente.

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Roteirista de filmes famosos, como Entre as pernas (1999) e diretor do drama Inconscientes (2004), o catalão Joaquín Oristrell elege a gastronomia como cenário da comédia romântica Dieta Mediterrânea.
 
Contando com a assessoria técnica de medalhões da alta culinária internacional, como o chef catalão Ferran Adriá, o diretor desenvolve um medianamente apimentado triângulo amoroso, equilibrado entre a jovem chef Sofia (Olivia Molina) e seus dois amores, o marido Toni (Paco León) e o amigo Frank (Alfonso Bassave).
 
Todos cresceram juntos numa cidadezinha litorânea espanhola, com ambições bem diferentes. Só Sofia desde pequena não saía mesmo da cozinha, sua grande paixão, para alegria do pai Ramón (Roberto Álvarez) e desespero da mãe, Loren (Carmem Balagué) - que desejaria que a filha única crescesse longe dos vapores do fogão, apesar de o negócio da família ser um pequeno restaurante.
 
Sofia impõe sua vontade e manda na cozinha do restaurante familiar, seu laboratório mas que logo se torna pequeno para ela. A moça, porém, só percebe de fato isso quando está casada com Toni, mãe de três filhos e o tentador Frank se coloca no seu caminho – e lhe oferece o mundo. Sofia acaba estudando fora, na França – onde o segredo, diz o filme, está em que os chefs locais “se levam muito a sério” – mas não fica longe para sempre. O lar chama.
 
O elenco é talentoso e enérgico e segura bem o ambiente de farsa, por vezes um tantinho histérica – fazendo-se sentir alguns momentos “quero ser Pedro Almodóvar”. Há cenas francamente inspiradas em Almodóvar, como o inusitado nascimento de Sofia na cadeira de uma barbearia (lembrando o parto de Penélope Cruz dentro de um ônibus no início de Carne Trêmula).
 
A paixão pela comida, que embala tantos filmes bons – A Festa de Babette (1987), Tampopo, os Brutos também comem spaghetti (1987), Como água para chocolate (1992), o desenho animado Ratatouille (2007), entre outros – entra na receita, mas não comanda o espetáculo. A seguida menção a chefs e restaurantes do alto circuito europeu deixa clara a vinculação ao merchandising da produção, o que compromete e muito o resultado.
 
Com um trio de atores jovens, bonitos e inegavelmente cheios de disposição, Dieta Mediterrânea poderia ter tido um pouco mais de ambição, até para ser digna de figurar ao lado dos filmes acima citados. Contenta-se em ser um fast food meio metido a besta de praça de alimentação e olhe lá.
 
Nem a suposta ousadia do triângulo amoroso tem componentes para chocar alguém, exceto a cidadezinha provinciana onde vivem. Esta Dona Flor e seus dois maridos, afinal, são bem comportadinhos.
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