Se existe uma unanimidade entre os críticos americanos, ela atende pelo nome de I Spit on your grave, filme de 1978 classificado pelo crítico Roger Ebert, do jornal The Chicago Sun-Times, como o pior já feito na história do cinema. E ele foi generoso, pois deixou de lado toda a tosca filmografia de Ed Wood. Esse cult dos filmes trash foi revisitado e atualizado no ano passado pelo diretor Steven Monroe, que manteve o nome original, lançado agora no Brasil como “Doce Vingança”.
Com roteiro de Meir Zarchi, diretor do filme original, “Doce Vingança” segue passo a passo o plano de vingança executado por Jennifer (Sarah Butler), uma escritora iniciante agredida e violentada por um grupo de homens numa cabana de férias, numa região florestal isolada. A jovem e bela escritora, que buscava um lugar tranquilo para escrever um romance, acaba vítima de seu próprio projeto.
A chegada de Jennifer ao pequeno vilarejo atrai a atenção de Johnny (Jeff Branson), funcionário de um posto de gasolina, e mais três amigos, que decidem dar um susto na patricinha da cidade grande, invadindo sua cabana no meio da noite. Mas o plano inicial foge do controle e acaba se transformando numa cena de humilhação, agressão física e estupro.
Sem possibilidade de ajuda, Jennifer vê o tempo passar e sabe que sua morte é apenas uma questão de tempo, já que ela se transformou numa testemunha perigosa de toda a brutalidade. E as cenas, sempre fortes, são mostradas em tempo real, minuto a minuto.
A única possibilidade de fuga é encontrada à beira de um rio, no qual ela se joga e desaparece nas águas, para desespero dos agressores, que temem que ela sobreviva. Durante vários dias, eles reviram o local em busca do corpo, mas nada encontram. Com o passar do tempo, acabam relaxando, acreditando que ela está morta.
Como todos deste lado da tela já sabem (e esperam), seu retorno é questão de tempo. Ela vai atrás dos agressores, um a um, para concretizar a vingança do título, que pode ser doce para ela, mas é amarga para quem a sofre e para quem a presencia no cinema. Jennifer não dá a outra face, pelo contrário, segue a lei de Talião e cobra, olho por olho e dente por dente, todo o mal que lhe fizeram.
Para o espectador, vingança mais doce ainda é saber que o filme, que custou US$ 1,5 milhão, foi um estrondoso fracasso, ficando em 54º lugar na bilheteria americana no fim de semana de lançamento, arrecadando míseros US$ 32.000.
