04/06/2026
Comédia romântica

O Noivo da Minha Melhor Amiga

Rachel e Darcy são amigas há muito tempo. No entanto quando uma delas está para se casar, a amizade entra em xeque, especialmente depois que ela passou uma noite com o noivo da outra.

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Se há um gênero que precisa de renovação, é o das comédias românticas, geralmente um mar de clichês que lhes rouba, não raro, boa parte da graça e do romance. Então, o esforço feito pelo diretor Luke Greenfiled para buscar um pouquinho de originalidade em O noivo da minha melhor amiga pode ser elogiado, ainda que nem tudo tenha dado certo.
 
Sem dúvida, é um avanço na carreira do diretor Greenfield, que tem no currículo os fraquinhos Um Show de Vizinha (2004) e o medonho Animal (2001).
 
A partir do roteiro de Jennie Snyder, baseado num livro de Emily Giffin, desenvolve-se a trama do trio principal, as amigas de infância Rachel (Ginnifer Goodwin) e Darcy (Kate Hudson) e o noivo de Darcy, Dex (Colin Egglesfield). Dex era colega de Rachel na faculdade de Direito e ela era caidinha por ele. Mas quando a exuberante e mais agressiva Darcy o conheceu, fisgou o rapaz e marcou o casamento.
 
Justamente quando os preparativos do casamento entram na reta final é que o imbróglio se desenrola. A mal-disfarçada atração entre Rachel e Dex (ele também estava de olho nela) acaba saindo do controle. Na festa de aniversário de 30 anos de Rachel, os dois beberam, se soltaram e rolou uma noite de amor.
 
No dia seguinte, ninguém sabe o que fazer. Na dúvida, nenhum dos dois está a fim de contar nada a Darcy. Dex acha uma desculpa para o seu sumiço a noite toda e a vida segue. Os sentimentos divididos, bem como a culpa, não saem da cabeça do noivo e da melhor amiga da noiva.
 
Contando com um galã, Colin Eggsfield (da série “Melrose Place”), que é quase um clone de Tom Cruise, e uma Kate Hudson cada vez mais parecida com a mãe, Goldie Hawn – embora com um veneno diferente no jeito de fazer humor –, o filme se ressente um pouco da camisa-de-força de bondade excessiva que resolve vestir na pobre Rachel – aturando como uma candidata a santa todos os excessos invasivos da amiga que, a bem da verdade, roubou-lhe o namorado bem no dia de seu primeiro encontro de verdade.
 
O filme não se livra, portanto, dessa espécie de código moral dúbio das comédias românticas de Hollywood, segundo o qual dormir com o noivo da amiga até pode – se ela não souber – mas dar-lhe umas duras, nunca.
Em compensação, alguns coadjuvantes movimentam a história com bastante personalidade. O melhor deles é John Krasinski (da série “Office”). Na pele de Ethan, amigo de Rachel que tenta injetar um pouco de auto-estima na moça, ele rouba a cena diversas vezes – uma das melhores, num jogo na praia.
 
Mas também têm seus momentos Claire (Ashley Williams), uma assanhada crônica que tenta de todo jeito conquistar Ethan. Para livrar-se desta marcação, ele até finge ser gay, o que rende algumas sequências divertidas.
Outro que marca sua presença é Marcus (Steve Howey), um amigo de Dex, típico cafajeste profissional e baixaria, que joga seu pseudo-charme grosseiro para toda mulher que se aproxime – Rachel é uma de suas vítimas, com apoio da amiga Darcy, que acha que ela está solitária demais.
 
Muitas idas e vindas se processam até a decisão final sobre o casamento. Alguns dos desdobramentos são até um pouco mais sérios do que a média das comédias românticas. O personagem de Kate Hudson, especialmente, tem nuances meio inesperadas na parte final.
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