04/06/2026
Documentário

Solidão e Fé

A documentarista Tatiana Lohmann lança um olhar feminino sobre o mundo dos rodeios e dos peões, acompanhando-os em suas viagens e competições.

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O mundo dos rodeios e de seus peões é desbravado do documentário Solidão e Fé, primeiro longa de Tatiana Lohmann - que tem em seu currículo a montagem de filmes de Carlos Nader e Carla Gallo, além de videoclipes. A diretora entra num mundo por natureza masculino, no qual o papel das mulheres é sempre estar em segundo plano, praticamente idolatrando os homens e as feras do rodeiro. Nesse sentido, Tatiana subverte essa equação, ao se tornar dona da câmera e das regras do jogo.
 
Se num primeiro momento o filme e a diretora titubeiam, especialmente com uma narração às vezes excessiva, à medida em que se familiarizam com o mundo do rodeio e seus participantes, Tatiana parece ganhar fôlego e segurança, dando dá um rumo à sua narrativa. É um caminho que, quase sempre, esbarra no glamour dessas competições, nas quais vidas e dinheiro estão em jogo.
 
Quando Tatiana finalmente se despoja dessa reverência, Solidão e Fé cresce. Quando a competição em si, a arena e os animais deixam a cena, e a vida dos montadores – em suas casas em seus refúgios ou nos quartos onde esperam entre um rodeio e outro – torna-se o foco, cresce o interesse da história, porque gente sempre é interessante quando se sabe conduzir entrevistas e montar um documentário. Isso Tatiana, que também assina a edição do filme, sabe fazer.
 
Uma das questões mais polêmicas dos rodeios, o manejo dos animais, é tratada en passant em Solidão e Fé. Mas, quando se depara, na reta final do documentário, com uma questão bastante delicada, a diretora não se esquiva.  Ela bem poderia ter acabado o filme antes, na montagem ter aberto mão desse episódio. Mas daí negaria ao público um painel ainda mais amplo do ser humano. É uma pequena amostragem que está no filme, mas, ainda assim, bastante representativa.
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