Depois de muita polêmica e algumas proibições, A Serbian Film – Terror sem limites chega aos cinemas brasileiros. Estreou há algumas semanas em Campinas, agora chega a Maceió. Depois deve estrear no restante do país, exceto no Rio de Janeiro, onde o filme está proibido pela justiça e a cópia em 35 mm está apreendida desde 23 de julho. Nessa data, o longa seria exibido no Cine Odeon (RJ) como um ato de protesto contra o veto da Caixa Econômica Federal contra sua exibição na programação do RioFan, da qual o Centro Cultural do banco era uma das salas de exibição. O pedido de proibição do longa veio do partido DEM (Democratas) do Rio de Janeiro.
Dirigido por Srdjan Spasojevic, A Serbian Film é cheio de sangue e de uma violência que tem muito mais significado do que a violência gratuita exibida diariamente em telejornais sensacionalistas da televisão brasileira. Seu protagonista é Milos (Srdjan Todorovic), ex-ator pornográfico, que recebe uma proposta praticamente irrecusável de participar de um filme dirigido pelo estranho Vukmir (Sergej Trifunovic), que promete revolucionar a arte.
Se, num primeiro momento, o filme questiona os limites da arte e da representação – algo que os seus detratores parecem não se dar conta – aos poucos, o longa de Spasojevic mergulha num espetáculo de perversão e violência, que, no fundo, traz um subtexto da turbulenta história da Sérvia.
No filme há cenas mais comentadas e reprovadas do que, obviamente, vistas – já que só agora o filme está chegando ao circuito –, como o suposto estupro do recém-nascido logo após o parto. O que muita gente parece se esquecer – especialmente os críticos de A Serbian Film – é que esse não é um documentário, é uma ficção, e o que está na tela é uma encenação – até porque o tal estupro acontece fora de quadro, ou seja, não se vê a cena.
Assistir ou não A Serbian Film é uma decisão que diz respeito a cada um. Proibi-lo, no entanto, fere os direitos do país todo e atenta contra a liberdade de expressão.
