18/07/2026
Documentário

Sequestro

O documentário acompanha o trabalho da Divisão Antissequestro da polícia de São Paulo e monta teses sobre os motivos por trás de uma onda de sequestros que abalou o país há alguns anos.

post-ex_7
O documentário Sequestro, de Wolney Atalla, é um filme de tese. Segundo o longa, a onda de sequestros no Brasil, que começou no final dos anos de 1980 e duraria até hoje, é consequência da queda da União Soviética que parou de mandar verbas para seus representantes pelo mundo – especialmente na América Latina. Por isto, estes eternos comunistas, precisando de dinheiro para se bancar, voltaram-se contra os capitalistas. Mais tarde, na penitenciária, os presos políticos ensinaram os demais como fazer sequestros.

Atalla já chega com uma ideia pronta e, com isso, não há espaço para questionamentos ou debates no filme. Para provar sua tese, ele usa dois sequestradores do empresário Abílio Diniz – um brasileiro que cumpre pena até hoje, e um chileno que já saiu da prisão. Ambos eram membros do grupo de esquerda Movimiento de Izquierda Revolucionaria. Esses dois são os únicos argumentos que o diretor usa para provar sua tese. Fora isso, o longa segue o trabalho da Divisão Antissequestro de São Paulo, a DAS, além de trazer depoimentos de vítimas.

De um bom documentário, espera-se uma visão crítico-analítica de seu objeto de estudo. Porém, Sequestro cai na vala comum de televisivos superficiais e sensacionalistas que se limitam a acompanhar batidas policiais. O diretor parece um tanto hipnotizado pela ação da polícia que, em todos os casos mostrados no filme, se sai muito bem, resgatando as vítimas e prendendo os criminosos sem precisar trocar tiros.
Um documentário sobre esse tema, que parte de um pressuposto e não tem espaço para descobertas e questionamentos, só poderia resultar num filme um tanto equivocado. O que se vê na tela é a espetacularização da ação da polícia e a banalização do crime. Não é difícil se solidarizar e sensibilizar com as vítimas – especialmente aquelas que são mostradas fragilizadas no cativeiro – e seus parentes. Por isso mesmo Sequestro não precisava pesar tanto a mão na manipulação emocional .
post