26/06/2026
Drama

O vendedor

Marcel é um vendedor de carros que está perto de se aposentar. Uma reviravolta altera todos os seus planos.

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Pode parecer irrelevante a história de Marcel Lévesque (Gilbert Sicotte), um vendedor de carros em uma cidade que está falindo. No entanto, os objetivos do diretor canadense, e debutante, Sébastien Pilote, focalizam mais a indiferença do próprio personagem ao que o cerca, do que propriamente as situações postas ao espectador.

Cioso de seu ofício e em vias de ser demitido por uma possível aposentadoria, Marcel é um desses que leva suas obrigações às últimas. Pode vender carros a quem não tem como pagar, pouco se preocupando até o contrato ser assinado.

Com a câmera na mão, enfrentando o frio canadense, Sébastien Pilote cria uma história sobre abnegação ao trabalho. Com seu personagem, explora a vida de classe média, em que, frente à crise, tal como à idade, não há mais nada em que se apoiar. Friamente, Marcel não tem outra escolha além de viver para vender carros.

Viúvo e sozinho, o protagonista não parece ter mais escolhas que as já pré-concebidas por ele mesmo. Em um momento, segreda à filha, Maryse (Nathalie Cavezzali), que não haveria opção sem trabalho. O que se entenderia, se a fábrica que emprega grande parte da população economicamente ativa da comunidade não tivesse fechado, deixando à míngua seus possíveis clientes.

Há uma crítica pessoal de Sébastien Pilote inserida no filme, que não pode ser ignorada pela desgraça de Marcel (um excelente ator): seríamos acomodados e por isso viveríamos fora de uma realidade mais ampla?

Pilote, que a crítica de seu país enalteceu, passa superficialmente por essa questão, embora atento ao que ela traz a quem a vive. A vida prosaica pode ser entediante, mas há muito que aprender com ela.
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