02/09/2026
Aventura

Americano

Martin vive em Paris, com a namorada Claire. Em dia, sua mãe, que vivia nos EUA, morre e ele, contra a vontade, tem de ir para lá acertar pendências do testamento. Descobre que a mãe deixou seu apartamento para uma estranha, Lola - que pode ser uma prostituta que vive no México.

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Filho dos cineastas Agnès Varda (Cleo das 5 às 7) e Jacques Demy (Os guarda-chuvas do amor), o ator Mathieu Demy estreia na direção de longas com o drama Americano. Além de roteirizar, ele protagoniza o filme no papel de Martin, um francês que vai para os Estados Unidos para dispor dos bens da mãe, que morreu em Los Angeles.
Com dupla cidadania, ele parece não se sentir bem em nenhum dos dois países. É um estranho dentro de si mesmo, na verdade. Deixa a mulher a quem ama, Claire (Chiara Mastroianni), e se interessa por uma stripper mexicana, Lola (Salma Hayek), que foi amiga de sua mãe antes de ser expulsa dos EUA. O objetivo, ao encontrá-la, é contar-lhe que a mãe lhe deixou sua casa como herança.
Em seu filme, Demy mergulha nos clichês que assolam personagens dos dois lados do Atlântico e também da fronteira. Sua fase francesa é cheia de culpas e questionamentos existencialistas. Tem uma mulher linda, mas sofre por isso. No continente americano, faz o papel de europeu fora de casa, blasé com tudo, e emburradinho. Quando chega ao México, conhece crianças de rua, cafetão-mafioso e dançarina de bom coração, nessa ordem. E todos irão mexer com sua vida.
Americano é a prova de que talento não é uma herança genética. Demy não tem a percepção ou o humanismo da mãe, muito menos o senso visual do pai, capaz de criar imagens belas e inesquecíveis – como em Os guarda-chuvas do amor e Lola. Como ator, ele até que não faz feio (também esteve em Tomboy). Devia investir mais nessa carreira.
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