Documentário investiga a experiência mística diante da figura de Jesus Cristo, a partir de entrevistas com atores do grupo Via Sacra, que realiza sempre uma encenação da Paixão de Cristo. Outro entrevistado, o físico indiano Amit Goswami, aponta para pontos de contato entre ensinamentos de Cristo e outras doutrinas, como o taoísmo e o budismo.
- Por Neusa Barbosa
- 01/08/2012
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Baiano radicado em Brasília, o cineasta André Luiz Oliveira (Meteorango Kid - O Herói Intergaláctico) debruça-se sobre a procura do sagrado neste filme, que mistura documentário e ficção e tem assumido fundo autobiográfico.
Sagrado Segredo resulta da confluência de três narrativas: a encenação de uma Paixão de Cristo pelo grupo Via Sacra, de Planaltina (DF); uma longa entrevista do físico indiano Amit Goswami; e uma inserção ficcional, em que o cineasta coloca seus próprios questionamentos em torno da fé, sendo interpretado pelo ator Guilherme Reis.
Poderia estar aqui um contra-ataque cristão à enxurrada de filmes espíritas que têm atingido as telas nos últimos anos? Não se pode afirmar que a intenção foi essa, embora Sagrado Segredo possa até ser encaixado assim nesse movediço universo de filmes místicos, movidos mais por alguma espécie de convicção íntima do que pela busca de uma precisão cinematográfica.
O que o filme tenta discutir é a possibilidade e a relevância da experiência religiosa e da fé, no terreno do cristianismo. O físico indiano, ex-professor da Universidade de Oregon, fornece uma espécie de base teórica, ao fazer longas explanações sobre os pontos de contato entre os ensinamentos de Jesus Cristo e diversas outras religiões e doutrinas, como o budismo, o taoísmo, o islamismo. E também sobre as chances de confluência entre ciência e espiritualidade.
A inclusão dos depoimentos dos atores da Via Sacra, falando sobre suas próprias vivências com a fé, diante da representação de que participam – e que parece muito bem-feita – é fragmentada e patina na dispersão. Pior é o terceiro núcleo da narrativa, em que o cineasta discute com a equipe, sintonizando uma espécie de crise do próprio projeto – é uma discussão real? Uma encenação? Isto não fica claro e nem soma para dar mais consistência ao filme. Tudo parece mesmo muito artificial e solto. Até a citação de um belo verso de Fernando Pessoa, no final, parece deslocada.
Talvez seja um filme pessoal demais, tanto que fica difícil compartilhar qualquer coisa do que ele esteja supostamente propondo. A impressão que se tem é que é um projeto de filme que ainda não chegou a uma concretização.
