21/08/2026
Documentário

Constantino

Numa viagem a Síria, o documentarista Otavio Cury encontra um livro escrito por seu bisavô, poeta e pioneiro no teatro árabe. Com esse ponto de partida, investiga a história de seu antepassado e a construção da identidade.

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O documentarista Otavio Cury parte de uma história de família para fazer uma investigação histórica, intelectual e, é claro, pessoal em seu longa Constantino, no qual recupera a figura de seu bisavô, Daud Constantino Al-Khoury, nascido em Homs (Síria) em 1860, e que imigrou para o Brasil em 1926.
 
A curiosidade de Cury move o filme – sua narrativa, sua viagem pelos continentes. Sabia apenas que seu bisavô paterno era professor e, em 2001, partiu para Síria em busca de mais informações. Estava lá quando aconteceu o 11 de setembro, e antes de sair descobriu um livro que reúne as peças e poemas de seu bisavô. É um tradutor iraquiano quem o ajuda, agora no Brasil, a decifrar a obra.
 
Na sua volta à Síria, em 2009, levou a tradução consigo e esta lhe serve como bússola. Munido de uma câmera começou a documentar seu processo de descoberta. Constantino é um pouco isso – a jornada pessoal, que se entrecruza com a de seu bisavô e a reflexão sobre o destino de uma nação, de um povo. A busca de sua identidade – de seus ancestrais – dá ao diretor matéria-prima para investigar a questão da identidade multicultural, da pluralidade no mundo contemporâneo.
 
A curiosidade do cineasta pode ser instigante, embora, algumas vezes, haja uma dispersão no foco do filme. As belas paisagens e o contraste entre o passado e o presente – assim como imagens de arquivo – mantêm o interesse, mas nem sempre se consegue extrapolar o plano pessoal. Pode-se pensar se um curta não teria sido mais eficiente.
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