03/06/2026
Documentário

Soberano 2 - A heroica conquista do Mundial de 2005

Em dezembro de 2005, o São Paulo se tornou tricampeão do Mundial de Clubes. Esse documentário acompanha o jogo da final e conta com depoimentos de jogadores como Rogério Ceni, Diego Lugano, Amoroso e Mineiro – autor do único gol válido da partida.

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Soberano 2 – A heroica conquista do Mundial de 2005, de Carlos Nader e Maurício Arruda – os mesmos diretores do primeiro Soberano (2010) – acompanha os dois últimos jogos do Mundial de Clubes de 2005, quando o São Paulo ganhou do Liverpool, no Japão. O longa se desenrola numa narrativa. Os diretores – que também assinam o roteiro – buscam desvendar o jogo como uma trama – da qual o goleiro do time e capitão, Rogério Ceni, é o protagonista.
 
Não por acaso, é ele quem dá mais entrevistas. Sua fala é organizada, clara; sua memória parece prodigiosa. Momentos que ele descreve com riqueza de detalhes são ilustrados por imagens de televisão e de torcedores que acompanharam o jogo de 18 de dezembro de 2005, quando o time brasileiro se tornou tricampeão.
 
Ao organizarem o filme, os diretores esbarram num paradoxo: o documentário é para torcedores, então, eles sabem como as coisas aconteceram. Portanto, não há o impacto da surpresa, apenas o gosto da memória, da nostalgia. O público que não sabe o resultado do jogo – 1 a 0 para o SPFC – provavelmente não irá ao cinema para descobrir a história. Como, então, desenvolver uma narrativa com final que todos conhecem? Em Soberano, lançado em 2010, os diretores tinham mais elementos – afinal, seu tema eram os seis títulos nacionais do clube. Aqui, a limitação temática se faz presente e pesa. O filme anterior conseguia ser mais dinâmico, ao colocar diversos jogadores e torcedores com histórias mais saborosas envolvendo jogos e vitórias.
 
Os torcedores que aparecem em Soberano 2 são poucos e não têm muito a dizer sobre o que a conquista representou para eles, ou como e onde viram o jogo da final. Há apenas esboços desses temas que se diluem e nem fica muito clara a razão da escolha específica destes torcedores. O lado pessoal – que traria mais colorido ao documentário – é praticamente inexistente. Do processo todo, Rogério Ceni emerge como herói - afinal muitas de suas defesas, como se vê, foram impressionantes.
 
A presença mais interessante no filme não é de nenhum dos jogadores ou torcedores – mas de um bandeirinha canadense, nascido no Chile, Hector Vergara, que anulou três gols impedidos do Liverpool. Compreensivelmente, um torcedor do time inglês diz no filme acreditar que o São Paulo foi beneficiado pela arbitragem.
 
Por outro lado, faz falta não só o técnico do time na época, Paulo Autuori, como também uma menção a ele mais aprofundada por parte dos jogadores ou torcedores, ou mesmo sua presença nas imagens da comemoração. Até Raí, que não joga no São Paulo desde 2000, participa do documentário em imagens no treino em 2005 e em depoimento.
 
Soberano 2, no fim, como tantos outros documentários de futebol, limita-se a cumprir sua função: reviver o jogo da vitória, alegrar o torcedor e fazer bem ao ego dele e dos jogadores. Fora isso, não consegue romper a barreira do gênero – mas isso não é bem um problema, afinal, esse não era seu objetivo.
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